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Padre Ivo Pedro Oro

TODAS AS VEZES QUE AJUDASTES AOS NECESSITADOS FOI A MIM QUE O FIZESTES

TODAS AS VEZES QUE AJUDASTES AOS NECESSITADOS FOI A MIM QUE O FIZESTES

Uma REFLEXÃO SOBRE O EVANGELHO DA SOLENIDADE DE CRISTO REI DO UNIVERSO (26.11.2017): Mt 25,31-46

É bem conhecida esta fala de Jesus sobre o nosso julgamento. Ele simplifica as coisas. A humanidade, independente de raça, cultura e religião, diante dele se divide em dois grupos: os que se empenham em diminuir e erradicar o sofrimento dos que padecem, e os que são insensíveis e sem compaixão com os excluídos da sociedade. Ele, o rei que julga, identifica-se com os últimos deste mundo, “os menores de meus irmãos e irmãs”. Jesus cita seis categorias de gente sofrida de seu tempo: os famintos, os sedentos, os migrantes ou sem casa, os doentes, os sem agasalho e os presos. As necessidades são diferentes, mas todos os necessitados precisam de ajuda. Hoje algumas destas categorias seriam citadas, mas inegavelmente Jesus mencionaria os desempregados, os sem-terra, os sem-teto, os sem-assistência, os não atendidos pela saúde pública, os sem-escola, os das “periferias existenciais”.

  1. Somos julgados pela “prática de amor”, não pela “prática religiosa”

O reino de Deus é o reino da vida, da justiça, do amor. O amor não é primeiramente um sentimento ou palavras, mas ações concretas que promovem libertação e vida. Quem coopera para haver vida em abundância para todos e todas – objetivo do reino universal de Cristo – está engajado no reino e seguindo fielmente a Jesus, afinal foi isso que Ele mais fez e viveu: ajudar os necessitados e acolher os últimos da sociedade, marginalizados pelas pessoas da elite e pelo sistema vigente. Ele realizou o que o profeta Ezequiel falara: Eu vou cuidar de minhas ovelhas, resgatar as que foram dispersadas, apascentar e fazê-las repousar, procurar a ovelha perdida, reconduzir a extraviada, fortalecer a doente. Vou apascentá-las conforme o direito… Farei justiça entre uma ovelha e outra, entre carneiros e bodes (cf. Ez 34,14-17). Como se vê, a ajuda tem que acontecer de duas maneiras: atendendo a necessidade individual, mas também no plano coletivo (direito e justiça).

No juízo, não será citada a questão religiosa. Nem aparece como um “recurso ao tribunal”: “Afinal, eu fiz parte do seu povo, participei das celebrações dos sacramentos, fazia diariamente alguma oração…” Como é difícil entendermos que a religião agradável a Deus é romper as correntes de escravidão e de opressão, praticar a justiça nos negócios e no mundo do trabalho, viver a vida com os outros e para os outros, ajudar os necessitados e apoiar as lutas sociais por direitos e defesa da vida! Aliás, se a reflexão da Palavra e as diversas celebrações e até orações pessoais e familiares não nos levam a ter uma prática mais de acordo como evangelho, então são vazias e não servem para ajudar no seguimento de Jesus. Então, não nos salvam.

O que vai contar são as ações e atitudes que promovem a vida fragilizada daqueles que a sociedade marginaliza por práticas culturais e preconceituosas, ou até mesmo legais. Podemos dizer que seremos julgados pelos pobres e excluídos, pois é com eles que Jesus se identifica: “Todas as vezes que o fizestes a um dos menores de meus irmãos foi a mim que o fizestes”. Também está claro, com todas as letras: “Toda vez que deixastes de ajudar a um destes pequeninos, foi a mim que não ajudastes. Por isso, apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno”.

  1. Mais do que assistência, justiça!

É evidente que em alguns casos precisamos dar esmola, dar um pão, visitar um doente ou os presos, emprestar ou doar certas coisas. Isto também é amor concreto. São pequenos gestos de caridade. Mas, se garantirmos através de conquistas sociais que todos tenham trabalho e remuneração digna, não faltará o pão para ninguém. Se batalharmos por um SUS que atenda a todos, é mais do que visitar um doente, mesmo que este convívio pessoal seja muito importante e não deva faltar… Como é difícil em nosso país aceitar que, como cristãos, devemos ter uma vivência e olhar voltados para o próximo, para quem precisa de nós. A maioria ainda vive focada no seu bem-estar e conforto familiar, como se vivesse apenas para si mesmo. Precisamos fazer-nos esta pergunta: A quais pessoas posso prestar a minha ajuda? Em que movimentos em defesa da vida dou minha presença e colaboração?…Nossa sociedade, a chamada opinião pública, ensina o esquecimento e a indiferença aos pobres e esquecidos. A defesa deles não dá votos nas eleições, e ela prefere o entreguismo do patrimônio nacional aos estrangeiros, o desmonte dos direitos dos trabalhadores, e a demolição de políticas para os necessitados. Quem crê e segue Jesus trabalha por ir “transformando nossa sociedade a serviço dos mais necessitados e desprovidos”, e “só pode fazer esta política: a política que favoreça os mais necessitados e abandonados” (Pagola. O Caminho Aberto por Jesus – Mateus, p. 324).

A insensibilidade provocada pelo consumo nos leva a uma vida solitária, sem compaixão e compromisso com o próximo. Diz o teólogo Metz, referindo-se às esmolas em dinheiro e doações de coisas, pelos “mais favorecidos” nas regras do sistema: “As exigências do amor não se satisfazem com o sacramento do dinheiro, pela simples razão de que a própria maneira de adquirir este dinheiro torna a incrementar a pobreza que com ele se quer remediar”.

Este é o Reino, este é Jesus, o rei do universo, que precisamos seguir. Engajemo-nos mais na realização deste reino, para um dia ouvir de Jesus esta acolhida: Vinde, benditos de meu Pai, recebei como herança o Reino!…

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Poesia: PALMARES  RESSUSCITADO

PALMARES  RESSUSCITADO

Da janela eu avistei. Logo no cantar dos pássaros!

No meio de um lindo clarão

Um homem acompanhado por  uma luz,

Seus olhos como de  uma criança

Brilhavam como a luz do sol.

Timidamente, perguntei:  por que tanto brilho nos olhos?

Eu branco. Ele negro.

E o sonho era o mesmo.

Era Zumbi.  Ressuscitado da terra

Do divino Palmares.

E num sorriso como dos lábios de Deus, ele disse:

Hoje, o atabaque sem pressa dançou.

A pedra do racismo rolou.

Negro saiu do túmulo,. Ressuscitou.

Sonhos roubados foram resgatados.

Senzala, negro de alma branca, casa grande, açoites,

Matanças cheias de sonhadores e inocentes acabou.

Olorum, o Deus negro, mandou dizer:

Dos Palmares de ontem, dos quilombos de hoje,

Das periferias que cantam a liberdade e a compaixão

Surgiram danças, abraços, sonhos e paixão.

Pois o sangue derramado de Zumbi e de tantos mártires

Fez da sentença divina a feliz libertação.

Pe. Domingos José Dias

20 de novembro – Dia Nacional da Consciência Negra.

PARÁBOLA DOS TALENTOS: NÃO ENTERRAR A VIDA

PARÁBOLA DOS TALENTOS: NÃO ENTERRAR A VIDA

Uma REFLEXÃO SOBRE O EVANGELHO DO 33o. DOMINGO DO TEMPO COMUM (19.11.17): Mt 25,14-30

O Papa Francisco propõe mudanças e nos pede ousadia na missão, mas muitas vezes nos acomodamos em manter o ritmo católico de sempre. Muitos têm receio de “problemas” e buscam tranquilidade. Não querem assumir compromissos e preferem ficar na folga e no seu cômodo bem-estar. Detestam quando há alguma mudança, seja na catequese seja na liturgia, ou em outras atividades, como as missões populares. Desafiar-se ao novo implica em investir mais a vida e os dons, por isso os assusta… É para nós que Jesus conta a parábola dos talentos. Um homem ia viajar para longe e deixou seus bens ao cuidado de três servos. Dois pegaram uma quantia e foram investindo e trabalhando: os bens renderam o dobro. O terceiro enterrou o talento, provavelmente por medo do senhor, e para não se incomodar com refletir, desafiar-se e trabalhar. O senhor, ao voltar, o chamou de “preguiçoso e negligente”. Pensou na sua acomodação e não nos possíveis resultados para o senhor, que na história representa Deus.

  1. Criatividade e inovação

Recebemos de Deus a vida, o tempo da existência, milhões de oportunidades, muitos e diferentes dons e potencialidades. Recebemos companhias e ajudas de variadas formas, sempre nos compartilhando a vida a cada passo. A parábola é clara: tudo isto tem que render para o Reino de nosso Senhor. É por sua graça que somos o que somos, que temos o que temos, que podemos o que podemos. Recebemos de graça para doar e doarmo-nos gratuitamente ao serviço do próximo e do Reino. Quem tem mais deve fazer render mais; quem recebeu menos pode render menos, mas tem que frutificar. Pois tudo faz parte do mistério da vida e tem como objetivo o vida do Reino. Nada que vem de Deus se destina ao mal, ao egoísmo, ao gozo individualista e vaidoso. “A mensagem de Jesus é clara. Não ao conservadorismo, sim à criatividade. Não a uma vida estéril, sim ao esforço arriscado por transformar o mundo. Não à fé enterrada sob o conformismo, sim ao seguimento comprometido com Jesus.” (Pagola. O Caminho Aberto por Jesus – Mateus, p. 312). A mensagem sobre a mulher forte do Livro dos Provérbios também exalta sua criatividade e dedicação, os seus dons renderam em resultados para a família e para os pobres (1ª. Leitura). O maior risco não é errar por querer mudar ou abrir novos caminhos, mas sim errar por engessar o vigor da fé e do evangelho com os laços de nosso comodismo e passividade.

  1. “Fiquei com medo e escondi o teu talento no chão”

Esse servo que recebeu um talento é o tipo de muitos de nós, ou de muitas situações de nossa vida. Ele “não se sente identificado com seu senhor, nem com seus interesses. Em nenhum momento age movido pelo amor. Nem ama seu senhor, só tem medo dele. E é precisamente este medo que o leva a agir buscando sua própria segurança” (p.313). Quantas vezes fugimos da responsabilidade, mantemos improdutivos os talentos, não nos comprometemos com ações e iniciativas que ajudam a concretizar o Reino na sociedade e, ainda pior, não queremos uma Igreja atuante na sociedade para ficarmos com uma fé apenas no íntimo e no espírito, não na ação para uma “vida em abundância” para todos e todas. Se fugimos do gastar tempo e do arriscar-se pelo mundo melhor, estamos fugindo da conversão e fingindo que somos cristãos. O terceiro servo é condenado (e nós talvez também), não por ser mau, mas por seu medo e acomodação que o fizeram enterrar seu talento.

  1. A quem tem será dado mais

Precisamos entender bem a lição final tirada e anunciada por Jesus: “A todo aquele que tem será dado mais, e terá em abundância, mas daquele que não tem, até o que tem lhe será tirado”. Vamos descartar, de cara: Jesus não está aprovando acumulação de bens e desigualdade social! A parábola se refere ao Reino de Deus. Os talentos são nossos dons e nossas condições (o que somos, o que temos e o que podemos), que precisam render de acordo com nosso Senhor. Dele recebemos, e para ele precisam frutificar. Na medida em que nos vamos envolvendo na vida da Igreja, nos aprofundando na Palavra e atuando em ações comunitárias e coletivas, mais enxergamos e mais condições temos para nos dedicar ainda mais. Aí se realiza a frase: “a quem tem será dado mais”. Se Deus nos concede seus dons é porque confia em nós. Não precisamos ter medo, nem enterrar nossa vida deixando-a estéril e inútil: “Quem só se dedica a conservar sua virtude e sua fé, corre o risco de enterrar sua vida. No final não teremos cometido grandes erros, mas também não teremos vivido” (p.315). Junto com o erro do medo está outro erro: o de pensar que está sendo fiel a Deus conservando “enterrado” seu talento. Jesus critica “a atitude conservadora de quem, com medo do risco, reduz a fé a mera autoconservação, impedindo seu crescimento e expansão” (p. 315). Nossa tarefa não é apenas “ficar numa pastoral de conservação”, manter o que se tem e o que se faz, nem apenas conservar o passado, ou como no passado. Novos tempos, novos apelos de Deus e novos chamados para novas ações!!!

A quem não faz render para o Reino os seus dons, no julgamento ouvirá: “Jogai-o lá fora na escuridão. Aí haverá choro e ranger de dentes”. E São Paulo afirma aos tessalonicenses: “Não somos da noite, nem das trevas. Portanto, não durmamos, como os outros, mas sejamos vigilantes e sóbrios” (2ª. Leitura).

Pensamento do dia: Transferências…

PENSAMENTO DO DIA:

Transferências: “Quando tiverdes feito tudo o que vos mandaram, dizei: ‘Somos servos inúteis; fizemos o que devíamos fazer” (Lc 17,10).

Na Jornada Mundial dos Pobres, o papa Francisco pede obras concretas e não apenas palavras (REVISTA IHU ON-LINE)

Na Jornada Mundial dos Pobres, o papa Francisco pede obras concretas e não apenas palavras

REVISTA IHU ON-LINE = 10 Novembro 2017

A Igreja realiza de 12 a 19 de novembro, a Jornada Mundial dos Pobres, com o tema: “Não amemos com palavras, mas com obras”. Trata-se, segundo mensagem do papa Francisco, publicada dia 17 de junho deste ano, de um convite dirigido a todos, independente de sua crença religiosa, para que se abram à partilha com os pobres em todas as formas de solidariedade, como sinal concreto de fraternidade.

As informações são publicadas por Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, 10-11-2017.

Segundo o santo padre, o amor não admite álibis. “Quem pretende amar como Jesus amou, deve assumir o seu exemplo, sobretudo quando somos chamados a amar os pobres”, diz trecho do texto. Instituído pelo chefe da Igreja Católica na conclusão do Ano Santo Extraordinário da Misericórdia, o primeiro Dia Mundial dos Pobres será celebrado pela Igreja em todo mundo no próximo dia 19 de novembro, 33º domingo do Tempo Comum.

No Brasil, a animação e coordenação das atividades foi delegada à Cáritas Brasileira, um dos organismos da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), por sua experiência na realização Semana da Solidariedade. Para o bispo de Aracaju (SE), presidente da Cáritas Brasileira, dom João José Costa, as respostas sobre que fazer só virão se a Igreja e os cristãos se colocarem de forma próxima aos empobrecidos e sentir a sua dor. “A proximidade faz com que o Espírito Santo desperte em cada um de nós a criatividade para que possamos ter iniciativas concretas para transformar a realidade”, disse.

De acordo com estudo divulgado em fevereiro pelo Banco Mundial, o número de pessoas vivendo na pobreza no Brasil deverá aumentar entre 2,5 milhões e 3,6 milhões até o fim de 2017. Segundo o documento, a atual crise econômica representa uma séria ameaça aos avanços na redução da pobreza e da desigualdade. O Banco Mundialtambém atribuiu a ações sociais protetivas como o Bolsa Família, um papel fundamental para evitar que mais brasileiros entrem na linha da miséria. A pesquisa aponta ainda que o aumento da pobreza vai se dar principalmente em áreas urbanas, e menos em áreas rurais, isso porque nas áreas rurais essas taxas já são mais elevadas.

Objetivo e material da Jornada

O diretor-executivo da Cáritas BrasileiraLuiz Claudio Mandela, lembra que a Jornada Mundial dos Pobres, em comunhão com a Semana da Solidariedade, quer acima de tudo chamar atenção de forma organizada, reflexiva e também em oração para a grande condição de vulnerabilidade e desigualdade por que passa grande parte da população do mundo e do Brasil.

Cáritas Brasileira preparou o cartaz e o subsídio com sugestões de ações para esta semana. A proposta, segundo o diretor-executivo da Cáritas, é que as comunidades, igrejas, escolas e toda sociedade realizem, por meio do que propõem a cartilha, as “Ruas Solidárias” e “Rodas de Conversa” cujo objetivo é proporcionar espaços, momentos e dinâmicas para que as pessoas, em suas mais várias localidades, possam refletir e olhar, em forma de oração, sobre esta realidade.

O presidente da Cáritas Brasileira convida cada um a dar a sua contribuição. “Se vamos mudar o mundo não sei, mas o importante é cada um fazer a sua parte”, disse. O bispo lembrou de madre Tereza de Calcutá que não desanimava quando se tratava de realizar obras em favor dos pobres. A religiosa, declarada santa pelo papa Francisco em 04/09/2016, dizia que somos uma gota d’água no oceano, mas que este seria menor sem aquela.

“Que durante esta semana possamos fixar o nosso olhar nesta realidade que desafia todo nosso mundo para que se transforme na casa do Bem Viver, onde todas as pessoas sejam reconhecidas e acolhidas em sua dignidade”, concluiu dom João José.

Acompanhe e compartilhe as ações nas redes sociais da Cáritas Brasileira durante a Jornada Mundial dos Pobres – Semana da Solidariedade entre os dias 12 e 19 de Novembro.

 

AS JOVENS DA LÂMPADA APAGADA E OS CRISTÃOS MEDÍOCRES

AS JOVENS DA LÂMPADA APAGADA E OS CRISTÃOS MEDÍOCRES

 Uma REFLEXÃO SOBRE O EVANGELHO DO 32o. DOMINGO DO TEMPO COMUM (12.11.17): Mt 25,1-13

Quando Mateus resgatou e escreveu a parábola das 10 moças – 5 se preveniram com óleo para as lâmpadas e 5 foram sem o óleo – a fé de muitos cristãos tinha esmorecido, eles haviam relaxado na vida cristã. Por isso a parábola visa a tornar mais viva a conversão e mais firme o seguimento a Jesus. É apenas uma parábola, dentro da cultura da época, falando de uma festa de casamento na qual um cortejo de dez garotas esperava e acompanhava a entrada  do noivo na sala de festa. Altas horas da noite, todas cochilaram; foram acordadas pelo grito: “O noivo está chegando! Saiam ao encontro dele!” As desprevenidas, sem o óleo da lamparina, pediram óleo às outras. Elas não o forneceram porque seria insuficiente para elas. As “desorganizadas” tiveram que sair para compra-lo. As prudentes entraram para a festa e aporta foi fechada. Ao chegarem as outras, a porta não lhes foi aberta: “Na verdade, não vos conheço!” “A parábola é simplesmente um convite a vivera adesão a Cristo de maneira responsável e lúcida, agora mesmo, antes que seja tarde. Cada um deve saber que precauções deve tomar.” (Pagola. O Caminho Aberto por Jesus – Mateus, p.304).

  1. Acompanhar Jesus com as lâmpadas acesas

O evangelho faz um paralelo entre os dois tipos de garotas. Provavelmente, havia nas comunidades de Mateus cristãos que assumiam pra valer o seguimento, e cristãos mornos, descuidados, negligentes. Jesus chama de “tolas” ou “sem juízo” as desprevenidas de óleo. Este óleo carregado pelas moças prudentes pode significar a atenção permanente à prática da Palavra de Deus, o seguimento responsável a Jesus, o cultivo de uma vida interior com espiritualidade e comprometimento com o Reino. Para isso, é preciso ter confiança absoluta em Deus e não no bem-estar e conforto, como mostram os sonhos de consumismo da sociedade atual. As jovens prevenidas, quando estava chegando o noivo, saíram com suas lâmpadas para iluminar o caminho, acompanha-lo e entrar com ele para a festa. Quem quer seguir verdadeiramente a Jesus, precisa ser muito vigilante, atento, preparado, pois a qualquer hora é preciso tomar posição pelo Evangelho, arregaçar as mangas e trabalhar, colocar seus dons, seu tempo e suas energias a serviço do Senhor. Mas é este o único caminho para “entrar com ele para a festa do casamento”. Deixar-se guiar pela luz do Senhor e ser luz no caminho do Senhor. Discípulos “apagados” não fazem parte do Reino e não entram na sua festa.

  1. Cristãos sem e sem esperança

As jovens “sem juízo”, desinteressadas no seu serviço, podem simbolizar uma quantidade enorme de cristãos que “constroem sua casa na areia”. Querem seguir a Jesus, mas sem levar o “óleo” consigo: pensar “ir levando” a vida de cristãos apenas como fachada, sem viver de fato com Jesus e seguir o seu caminho. Pensam que podem ser cristãos “de lâmpadas apagadas”, sem seguir sua luz. Conhecer e viver o Evangelho é o fundamento para acender suas lâmpadas. É impossível seguir Jesus sendo “discípulo apagado”. A vinda de Jesus não ocorre só no final dos tempo, mas a todo momento é hora de seu apelo, de “entrar com ele”.

“Infelizmente, hoje, “somos mestres em fazer todo tipo de cálculos e previsões para não correr riscos no futuro. Preocupamo-nos em assegurar nossa saúde e garantir nosso nível de vida; planejamos nossa aposentadoria e organizamos uma velhice tranquila para nós. Tudo isso é muito bom, mas não deixamos de ser insensatos…: todas essas seguranças fabricadas por nós são inseguras” (idem, p.306). Jesus mostra que precisamos olhar para o horizonte da “vida eterna” e ser vigilantes: “Vigiai, pois, porque não sabeis nem o dia nem a hora”. Quem confia no Senhor e tem nele sua esperança não se basta a si mesma, não se contenta com seu conforto e bem-estar. Ao contrário, é insatisfeita. “Jesus Cristo me deixou inquieto”, canta o Pe. Zezinho. “Juventude missionária, inquieta e solidária”, canta o Zé Vicente.

Que isto nos anime a superar tanta desesperança, hoje manifesta na tristeza, na perda de confiança, no cansaço geral (cansado da vida), no estresse, no tédio, no vazio, na falta de sentido. É preciso ir ao encontro da sabedoria e amá-la. “Meditar sobre ela é a perfeição da prudência”, diz o Livro da Sabedoria (6,15). Estar vigilante aos apelos de Jesus agora para sermos um dia “arrebatados com eles nas nuvens, para o encontro com o Senhor nos ares. E assim estaremos sempre com o Senhor”, diz a segunda leitura (1Ts 4,17).

Poesia: BEM-AVENTURADOS DE SEMPRE…

BEM-AVENTURADOS DE SEMPRE…

            “Felizes os pobres, os misericordiosos, os que promovem a paz,

porque serão chamados filhos de Deus…” (Mt 5,1-12)

“Mas ai dos ricos, fartos, gozadores e elogiados…” (cf. Lc 6,24-26)

 

Felizes os pobres e misericordiosos,

Os perseguidos e aflitos,

Que nas dores próprias e alheias

Sofrem e ecoam os seus gritos.

Os que sempre a paz promovem;

Famintos e sedentos de justiça,

Para implantá-la se movem

E removem as cobiças.

Felizes e bem-aventurados

Os mansos e puros de coração:

Sua fé se traduz em obras,

Expressão de sua opção.

 

Mas ai dos ricos acumuladores

Já têm a sua consolação.

Ai dos que agora têm fartura,

Porque na experiência da carência

Sentirão como a miséria é tortura.

Ai dos que agora estão rindo

E dos que são por todos elogiados,

Acham-se os tais, formosos e lindos,

Pois assim eram os profetas falsos

Badalados pelos antepassados…

 

Feliz aquele que não se escandalizar

Por causa de mim.

Bem-aventurado quem, sem ver, acreditar.

Será salvo quem perseverar até o fim.

 

 

BEM-AVENTURADOS E FELIZES: SERÁ QUE NÓS SOMOS ???  

BEM-AVENTURADOS E FELIZES: SERÁ QUE NÓS SOMOS ???

 Uma REFLEXÃO SOBRE O EVANGELHO DA SOLENIDADE DE TODOS OS SANTOS (05.11.2017): Mt 5,1-12.

O Evangelho deste domingo trata das bem-aventuranças que anunciam a dinâmica do Reino de Deus. Elas nos trazem presentes nove ensina­mentos de Jesus que através de sua vivência, palavras e ações mostram o caminho certo para a verdadeira e plena felicidade. Pelo batismo re­cebemos a identidade de cristãos, de pertença ao Reino de Deus e da santidade que devemos descobrir e valorizar em cada um de nós. Somos chamados à vida e à santidade. Ser santo não é fazer milagre nem viver sempre rezando. Ser santo é viver bem no caminho do Senhor, sobretudo orientar sua vida pela prática do amor fraterno, defesa da justiça e igualdade e da promoção da vida das pessoas fragilizadas e do Planeta.

No Evangelho, algumas bem-aventu­ranças são uma condição de sofrimento pela causa do Reino e de exclusão social: os mansos (subjugados), os que têm fome e sede de justiça (que sofrem injustiças), os aflitos (por situações diversas de sofrimentos), os perseguidos por causa da justiça. Outras bem-aventuranças são  um esforço para viver no caminho do Senhor: bem-aventurados os pobres em espírito (desapegados, não fazem dos bens materiais o centro da sua vida), os misericordio­sos (que têm compaixão dos que sofrem), os puros de co­ração (não os maldosos e maliciosos), os que constroem a paz (promovem a paz social e relações pacíficas)… “Bem-aventurados serão vocês quando, por minha causa os insul­tarem, perseguirem e levantarem todo tipo de calúnia contra vocês.” Bem-aventurados hoje os cristãos que não desanimam nem “entregam as fichas” diante das formas atuais e sutis de perseguição que são a indiferença, a desconsideração, o desprezo, as críticas e a falta de colaboração… Pois, “deles e delas é o Reino de Deus.

 

Esta felicidade proposta pelo Reino de Deus é muito diferente – pra não dizer oposta – da felicidade que o capitalismo nos propõe. Vejamos algumas das promessas de felicidade incutidas nas pessoas pela sociedade consumista. Aí, felizes são os que acumulam, que aumentam o capital. No capitalismo feliz é quem vive em festas e farras, banquetes e diversões. NO modo de produção capitalista felizes são os donos de imensas áreas de terra. Os noticiários e reportagens, ultimamente, mostraram a alegria e a felicidade de quem comprou voto no Congresso com uso de dinheiro público, alegrando-se por cometer injustiças e continuar dominando sobre o povo. A sociedade de consumo e individualismo declara felizes os egoístas, fechados apenas em seus próprios interesses, os que fazem do bem-estar e do conforto o sentido central de sua vida e a grande busca de sua existência. Na proposta de felicidade capitalista, em que o financeiro é o valor supremo, felizes são os desonestos, os sarcásticos, debochadores, falsos, perversos e cínicos. Alcançam sua aparente felicidade, tantas vezes com “jeitinho”, propinas, safadezas, desrespeito ao povo e, quase sempre, de formas violentas. Para os poderosos, perseguir quem luta pelo bem do povo, e eliminar ou condenar quem defendo o poder popular é sua suprema felicidade e máxima vitória.

Tudo isto, exatamente o contrário do que Jesus propõe, não apenas para alguns mais loucos ou ousados pelo Reino, mas a todos e todas os batizados. Como se observa, viver as bem-aventuranças não se faz apenas no espírito ou no sentimento. Elas são vividas na prática, nas relações nossas com as pessoas, com Deus, com os pobres, com a comunidade, e, especialmente, na forma evangélica de usarmos nossos bens e coisas materiais.
Que todos os santos e santas, que viveram as bem-aven­turanças e experimentaram já na terra a vida em Deus, intercedam por cada um e cada uma de nós. E que seu testemunho bonito de vida nos encoraje a também sermos mais santos.

 

 

 

 

 

COMEMORAÇÃO DE TODOS OS NOSSOS FALECIDOS (02.11.17)

COMEMORAÇÃO DE TODOS OS NOSSOS FALECIDOS/AS (02.11.17)

UMA REFLEXÃO SOBRE AS LEITURAS BÍBLICAS

A comemoração de todos os finados é para todos nós um dia de saudade e de amor. Trazemos presentes nossos entes queridos que nos deixaram. Com belo e salutar sentimento relembramos sua vida entre nós, os momentos de amor, de ternura e de auxílio na caminhada da vida. Agradecemos a Deus a vida deles conosco e todo o bem que, por sua graça, conseguiram realizar. Reaprendemos com o testemunho de suas virtudes e o bem que realizaram, e com isso nos fortalecemos. Renovamos nosso sentido de viver para Deus e de não nos afastarmos de seu caminho. Enfim, Dia dos Finados para nós é dia de vida. Tudo fala da vida, desde as flores, a liturgia, os sentimentos cultivados, até o aprofundamento da Palavra que nos propõe a crer na ressurreição e na vida. Para o cristão, morrer é viver. E encontrar-se com Cristo, vencedor da morte, é encher-se de vida, e desde já saborear da plenitude da vida eterna.

1ª. Leitura: Jó 19,1.23-27

Mesmo em situação de extremo sofrimento, Jó não perde nem a fé nem a esperança: “Eu sei que o meu redentor está vivo, e se levantará sobre o pó”. Ele crê em Deus vivo, não num deus-enfeite, num deus-pronto-socorro, nem num deus-desligado/desconectado da humanidade. Por isso afirma: “Depois que tiverem destruído essa minha pele, na minha carne verei Deus. Eu mesmo o verei, meus olhos o contemplarão”. Para ele, quando for destruído nosso corpo e acabada a vida terrena, veremos Deus face a face, nosso ser se encontra com Deus, “e desfeito nosso corpo mortal, nos é dado nos céus um corpo imperecível”, rezamos no prefácio deste dia.

Evangelho: Jo 6,37-40

Após a grande partilha do pão, Jesus discorre sobre a vida verdadeira e sobre o plano de vida e de amor do projeto de Deus. Jesus vai afirmar que ele “é o pão da vida”, “o pão vivo descido do céu”; também que “quem comer deste pão viverá eternamente”. O texto desta liturgia mostra que “Jesus é o doador da vida. Ele não rejeita ninguém, pois cumpre a vontade do Pai que o enviou. E a vontade do Pai, expressa nas ações de Jesus, é que a vida seja abundante para todos, uma vida que supera a própria morte” (Bortolini, Como Ler o Evangelho de João, p. 76). Duas vezes o evangelho fala em ressurreição “no último dia”. Não entendamos que último dia seja nossa ressurreição no último dia, quando acabar o mundo, ou a humanidade. “O último dia, no evangelho de João, é o dia da ressurreição, tempo que se prolonga indefinidamente desde que Jesus venceu a morte. Na ressurreição de Jesus todos nós já ressuscitamos para a vida. E mesmo que tenhamos de morrer, a morte não terá a última palavra sobre nós.” (ibid.)

2ª. Leitura: Rm 5,5-11

São Paulo anima os romanos e a nós a vivermos na esperança. Ela se fundamenta no amor de Cristo. Quando no mundo é muito difícil alguém morrer por um homem justo ou por uma pessoa de bem, Jesus Cristo “morreu pelos ímpios”. Daí nossa esperança. E diz ainda: “Deus demonstrou seu amor para conosco porque Cristo morreu por nós quando ainda éramos pecadores”. É por Cristo que somos justificados e salvos, reconciliados com Deus, por meio da morte e da ressurreição de Jesus.

Celebremos, pois, este dia sem nenhum exagero, nem nos sentimentos nem na frieza. Façamos nossa memória e liturgia celebrando a vida dos que partiram. Demos graças ao Senhor Deus da vida pela vida que concedeu a eles e a elas, pelo testemunho que nos deixaram e, especialmente, pelos momentos de vida, de afeto e de ações que conosco viveram e realizaram. Deus seja louvado, pela vida de nossos finados!

 

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