Na mídia brasileira, o que o Papa diz vai para as catacumbas

POR FERNANDO BRITO · 07/11/2016

“Quem governa então? O dinheiro. Como governa? Com o chicote do medo, da desigualdade, da violência econômica, social, cultural e militar que gera sempre mais violência em uma espiral descendente que parece não acabar nunca. Quanta dor, quanto medo!”

 “Como a política não é uma questão dos “políticos”, a corrupção não é um vício exclusivo da política. Existe corrupção na política, existe corrupção nas empresas, existe corrupção nos meios de comunicação, existe corrupção nas Igrejas e existe corrupção também nas organizações sociais e nos movimentos populares. É justo dizer que existe uma corrupção radicada em alguns âmbitos da vida econômica, em particular na atividade financeira, e que é menos notícia do que a corrupção diretamente e ligada ao âmbito político e social.”

“Sabemos que “enquanto não se resolverem radicalmente os problemas dos pobres, renunciando à autonomia absoluta dos mercados e da especulação financeira e atacando as causas estruturais da iniquidade, não se resolverão os problemas do mundo e definitivamente, nenhum problema. A iniquidade é a raiz dos males sociais”

Você não leu estas frases nos grandes jornais, apesar de terem sido ditas pelo Papa Francisco, no sábado, no encerramento do III Encontro Mundial dos Movimentos Populares, no Vaticano. Uma única exceção, ao que eu saiba, foi o portal UOL, que reproduziu matéria da agência italiana Ansa.

É que o discurso que valoriza o ser humano ante o “mercado” foi relegado pela mídia brasileira, às catacumbas.

O cumprimento fraterno e a boa risada que troca com o líder do Movimento dos Sem Terra, João Pedro Stédile (que você vê aqui, no vídeo integral da cerimônia) nem sei para onde mandariam.

Graças ao blog do Marcelo Auler – aquele que a delegada Érika Mialik pede que seja censurado, considerando-o “um esquerdista devoto” – a gente, felizmente, pode ler uma seleção das palavras do papa, que os jornais brasileiros não se preocuparam em publicar.

Papa preocupado com o popular, para eles, não é pop.

Na mídia brasileira, o que o Papa diz vai para as catacumbas

 

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