TERMINA O ANO SANTO, MAS A MISERICÓRDIA CONTINUA

Dia 20 de novembro encerrou-se solenemente o JUBILEU EXTRAORDINÁRIO DA MISERICÓRDIA, proclamado pelo Papa Francisco. Pudemos vivenciar momentos, atitudes, ações e gestos concretos e celebrações que nos ajudaram a aprofundar e viver melhor esta essência de Deus, que é a misericórdia. Valorizamos e celebramos o sacramento da reconciliação. Bendizemos a Deus por ser misericordioso conosco e nos abrimos a acolher sua misericórdia, seu perdão infinito para quem o acolhe e busca caminhar com Ele. Com a cruz peregrina nos unimos mais entre as comunidades, e tomamos consciência de que seguir a Jesus e viver a misericórdia é também carregarmos nossa cruz, que implica em renúncia de si e prática do amor fraterno. Quem faz verdadeiramente a experiência da misericórdia do Senhor não se sente bem sem vivê-la com o próximo. Foram muitos os gestos de perdão e de reconciliação entre as pessoas, testemunhando o intenso perdão que Deus sempre nos concede. Os rituais da porta santa foram marcantes, em muitos lugares para milhares de pessoas que entenderam e assumiram de entrar pela porta estreita do Reino de Deus, pois larga é a porta e largo o caminho que conduz para os reinos deste mundo. Agora fechamos a porta santa, mas vamos manter abertos os corações para a misericórdia com os últimos da sociedade.

Recordemos uns pontos que podem ser retomados diariamente, a partir do documento do Papa Francisco “O Rosto da Misericórdia”.

Já no início, ele nos lembra queMisericórdia: é a lei fundamental que mora no coração de cada pessoa, quando vê com olhos sinceros o irmão que encontra no caminho da vida. Misericórdia: é o caminho que une Deus e o homem, porque nos abre o coração à esperança de sermos amados para sempre, apesar da limitação do nosso pecado”. Em seguida, acrescenta: “Há momentos em que somos chamados, de maneira ainda mais intensa, a fixar o olhar na misericórdia, para nos tornarmos nós mesmos sinal eficaz do agir do Pai. Foi por isso que proclamei um Jubileu Extraordinário da Misericórdia como tempo favorável para a Igreja, a fim de se tornar mais forte e eficaz o testemunho dos que creem”.

Cita São João XXIII que na abertura do Concílio indicou como rumo da Igreja: « Nos nossos dias, a Igreja de Cristo prefere usar mais o remédio da misericórdia do que o da severidade”. E lembra que o Beato Paulo VI assim falou na conclusão do Concílio: « Desejamos notar que a religião do nosso Concílio foi, antes de mais, a caridade”. Em outras palavras, cristianismo é a religião da vida, da comunhão com Deus, vivendo no amor com os irmãos e irmãs.

E Francisco insiste: “Quanto desejo que os anos futuros sejam permeados de misericórdia para ir ao encontro de todas as pessoas levando-lhes a bondade e a ternura de Deus! A todos, crentes e afastados, possa chegar o bálsamo da misericórdia como sinal do Reino de Deus já presente no meio de nós”.

Retomando São João Paulo II adverte que “a mentalidade contemporânea, talvez mais que a do homem do passado, parece opor-se ao Deus de misericórdia e, além disso, tende a separar da vida e a tirar do coração humano a própria ideia da misericórdia. A palavra e o conceito de misericórdia parecem causar mal-estar ao homem…”

Viver a misericórdia na prática

O Papa Francisco deixa claro que “É determinante para a Igreja e para a credibilidade do seu anúncio que viva e testemunhe, ela mesma, a misericórdia. A sua linguagem e os seus gestos, para penetrarem no coração das pessoas e desafiá-las a encontrar novamente a estrada para regressar ao Pai, devem irradiar misericórdia. (…) onde a Igreja estiver presente, aí deve ser evidente a misericórdia do Pai”.

E aponta para ações concretas, gestos bem práticos, além das tradicionais obras corporais e obras espirituais de misericórdia. Diz ele: “Neste Ano Santo, poderemos fazer a experiência de abrir o coração àqueles que vivem nas mais variadas periferias existenciais, que muitas vezes o mundo contemporâneo cria de forma dramática. Quantas situações de precariedade e sofrimento presentes no mundo atual! Quantas feridas gravadas na carne de muitos que já não têm voz, porque o seu grito foi esmorecendo e se apagou por causa da indiferença dos povos ricos. Neste Jubileu, a Igreja sentir-se-á chamada ainda mais a cuidar destas feridas, aliviá-las com o óleo da consolação, enfaixá-las com a misericórdia e tratá-las com a solidariedade e a atenção devidas. Não nos deixemos cair na indiferença que humilha, na habituação que anestesia o espírito e impede de descobrir a novidade, no cinismo que destrói. Abramos os nossos olhos para ver as misérias do mundo, as feridas de tantos irmãos e irmãs privados da própria dignidade e sintamo-nos desafiados a escutar o seu grito de ajuda. As nossas mãos apertem as suas mãos e estreitemo-los a nós para que sintam o calor da nossa presença, da amizade e da fraternidade. Que o seu grito se torne o nosso e, juntos, possamos romper a barreira de indiferença que frequentemente reina soberana para esconder a hipocrisia e o egoísmo”.

E nos alerta contra atitudes que desviam da misericórdia: “Não caiais na terrível cilada de pensar que a vida depende do dinheiro e que, à vista dele, tudo o mais se torna desprovido de valor e dignidade. Não passa de uma ilusão. Não levamos o dinheiro conosco para o além. O dinheiro não nos dá a verdadeira felicidade. A violência usada para acumular dinheiro que transpira sangue não nos torna poderosos nem imortais. Para todos, mais cedo ou mais tarde, vem o juízo de Deus, do qual ninguém pode escapar.”

Afirma a importância do Ano Santo: “Este é o momento favorável para mudar de vida! Este é o tempo de se deixar tocar o coração. Diante do mal cometido, mesmo crimes graves, é o momento de ouvir o pranto das pessoas inocentes espoliadas dos bens, da dignidade, dos afetos, da própria vida. Permanecer no caminho do mal é fonte apenas de ilusão e tristeza. A verdadeira vida é outra coisa. Deus não se cansa de estender a mão.(…) Não será inútil recordar a relação entre justiça e misericórdia. Não são dois aspectos em contraste entre si, mas duas dimensões duma única realidade que se desenvolve gradualmente até atingir o seu clímax na plenitude do amor.

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