FOMOS PARA A RUA E PRAÇA

Fomos para a rua e praça

Em afinada manifestação

De mãos dadas com a multidão.

Trabalhadores e trabalhadoras,

Sempre gente do povão

E alguns amigos e amigas

Nutrindo a mesma opção

Caminhavam conosco

Passo a passo, lado a lado…

Deixou saudade e aprendizado,

Mesmo sonho e mesmo chão.

 

Foi muito duro e sofrido,

Mas sem isso não haveria

Como manter viva a utopia.

Ao eco de “Povo unido!”

Arrancamos do profundo do ser

O ânimo, vigor e energia

Para o “Jamais será vencido!”.

Repartições públicas ocupamos,

BRs nós trancamos,

Os bancos igualmente

Com cadeados e correntes.

 

Caminhadas e passeatas,

Tendo bem vivas na mente

As conquistas almejadas

– Bandeiras de esperança balançadas…

Fechamos os ouvidos

Aos insultos e bravatas.

Despejaram ameaças

Vestidas de fardas e fuzis,

Cassetetes e cães,

Mas embalados por refrães

Nós não voltamos atrás,

Nem com as bombas de gás.

 

Houve quem apanhou e ficou ferido,

Quem foi levado prisioneiro,

Quem sofreu e foi hospitalizado…

Todos comungando o sofrimento

De companheiras e companheiros.

Na luta por direito e dignidade,

Avançamos rumo à nova sociedade…

Ninguém temia pelo pior:

Mesmo se a conquista de direitos

Custasse lágrimas, sangue e suor.

 

Hoje vemos povo e excluídos

E classes trabalhadoras,

No marasmo e sem entusiasmo

Apáticos e sem embalo…

Apenas resmungam e assistem

Os direitos serem roídos,

Pelos ratos do Congresso

Ou jogados pelos ralos

Num desprezo cínico aos empobrecidos.

(dez/2016)

 

 

 

 

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