Quatro anos do papa Francisco

(publicado no IHU, 02.03.17)

“A Igreja em reforma do papa Francisco nos pede que rezemos pelo ministério do bispo de Roma frente àqueles que o perseguem e são contra qualquer mudança e atualização da Igreja na fidelidade ao Cristo que chama e converte. Sejamos sujeitos da imensa missão batismal que é tarefa de todos e todas”, escreve  Fernando Altemeyer Junior, teólogo leigo, doutor em Ciências Sociais e professor do Departamento de Ciência da Religião, da Faculdade de Ciências Sociais da PUC-SP.

Eis o artigo.

Em 19 de março de 2017 celebramos quatro anos do fenômeno “Francisco”. O bispo de Roma se apresenta como um reformador místico e sapiencial. Sua ação é centrada na misericórdia e no cuidado dos refugiados e imigrantes em um mundo sem muros.

A organização da Igreja Católica se faz atualmente por meio de 12 patriarcados, 610 arquidioceses, 2.113 dioceses, 44 prelazias territoriais, 10 abadias nullius, 25 exarcados de ritos orientais, 36 ordinariatos militares, 87 vicariatos apostólicos, 11 prefeituras apostólicas, oito administrações apostólicas, oito missões independentes–sui iuris e a rede de 132.642 centros missionários e 221.740 paróquias. Há todo um ramo organizado de ação social e educativa articulado em 71.188 creches frequentadas por 6.728.670 crianças; 95.246 escolas de ensino fundamental para 32.299.669 alunos; 43.783 escolas de ensino médio para 18.869.237 alunos e 2.381.337 alunos do ensino superior; e 3.103.072 estudantes participantes das Universidades Católicas. A ação social se organiza em 5.167 hospitais católicos, 15.699 casas para pessoas idosas, 10.124 orfanatos, 11.596 enfermarias, 14.744 consultórios de orientação familiar e 115.352 institutos beneficentes e assistenciais. São 1,272 bilhão de batizados, 3.170.643 catequistas, 362.488 missionários leigos, 54.559 irmãos religiosos e 668.729 religiosas com votos perpétuos. O clero possui 5.437 bispos, 414.313 presbíteros, 45.000 diáconos casados permanentes e 116.939 seminaristas maiores.

O Papa Francisco, Jorge Mario Bergoglio exprime seu projeto: “Exige-se a toda a Igreja uma conversão missionária: é preciso não se contentar com um anúncio puramente teórico e desligado dos problemas reais das pessoas (AL 201)”. Ele quer uma ação permanente de saída: “Sonho com uma opção missionária capaz de transformar tudo, para que os costumes, os estilos, os horários, a linguagem e toda a estrutura eclesial se tornem um canal proporcionado mais à evangelização do mundo atual que à autopreservação (EG 27)”.

Francisco reconheceu publicamente 833 santos canonizados e outros 974 bem-aventurados, tornando-se o papa que mais santos incluiu no livro dos santos em toda a história da Igreja Católica. Alguns peritos afirmam que ele fará as canonizações de muitos mártires da América Latina e do Beato Charles de Foucauld. O Brasil espera também as canonizações da irmã Dulce dos Pobres, Helder Pessoa Câmara, Adelaide Molinari, Santo Dias da Silva, Josimo Moraes Tavares, Vicente Cañas, Ezequiel Ramin, Creusa do Nascimento, Simão Bororo, Luciano Mendes de Almeida, Sepé Tiarajú, entre tantas testemunhas.

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