SÓ EM JESUS TEMOS VIDA E RESSURREIÇÃO

5º. DOMINGO DA QUARESMA (01/02.04) – UMA REFLEXÃO SOBRE O EVANGELHO de Jo 11,1-45

A caminhada quaresmal nos coloca em comunhão com Jesus que caminha conosco. No penúltimo domingo ele se apresentou como aquele que nos oferece a água viva e pode saciar nossa sede de infinito. Domingo passado, como aquele que cura nossa cegueira, pois Ele é a luz do mundo. Hoje, Jesus nos garante que é com Ele que temos vida e ressurreição, vida para além desta vida.

João faz o relato mostrando Jesus muito humano e sensível. Revela seu poder de “vencedor da morte”, devolvendo a vida a Lázaro, mas pela sua prática e palavras desperta a nossa fé para que creiamos, desde agora, não somente na futura ressurreição, mas em Deus que infunde a vida nos que enterramos e nos faz viver desde agora no espírito da ressurreição.

A morte do amigo Lázaro

Jesus era muito amigo de Lázaro e de suas irmãs Marta e Maria. Elas mandaram-lhe dizer que Lázaro estava muito doente. Jesus disse que essa doença levava não para a morte, mas para a glória de Deus. Ficou mais dois dias evangelizando naquele lugar, depois se dirigiu a Betânia. Os discípulos tinham medo de ir à Judeia. Jesus, porém, lhes disse: “Se alguém caminha de dia, não tropeça, porque vê a luz deste mundo. Mas se caminha de noite, tropeça, porque lhe falta a luz… Lázaro dorme, mas eu vou acordá-lo”. Quando chegou lá, Lázaro estava sepultado a quatro dias. Muita gente estava na casa das duas irmãs. O encontro deles com Jesus foi emocionante. Jesus ficou profundamente comovido e chorou. Diante da morte, Jesus chora e confia em Deus.

Também hoje em dia, as pessoas, diante da morte de um ente querido, se enchem de dor e comoção. Temos dificuldade de ligar com tal fato. Estamos tão amarrados às coisas e ao ritmo do cotidiano, que não sabemos o que fazer com a morte, nem gostamos de pensar na vida futura, nem no sentido real da vida. Preferimos dizer apenas que é um mistério ou um enigma. O cristão, no entanto, a partir da confiança em Cristo ressuscitado, crê que quem está em Jesus não morre para sempre, e nossos irmãos que partiram estão vivos, em comunhão com Deus e conosco. Jesus é o Senhor da vida e da morte. “Só nele buscamos luz e força para lutar pela vida e para enfrentar a morte. Só nele encontramos uma esperança de vida mais além da vida” (Pagola. O Caminho Aberto por Jesus – João, p.166).

“Eu sou a ressurreição e a vida”

No diálogo com Marta, Jesus aponta para a vida: “Teu irmão ressuscitará”. Mas não apenas no último dia: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá jamais. Crês isto?” Viver em Jesus e com Jesus, crendo nele, traz vida e ressurreição. É uma nova vida que vai acontecendo aqui e continua em plenitude na eternidade… Junto ao sepulcro, Jesus ordena: “Tirai a pedra!”, e em seguida ora ao Pai: “Pai, eu te dou graças porque me ouviste. Eu sei que sempre me escutas. Mas digo isto por causa do povo que me rodeia, para que creia que tu me enviaste”. E exclamou com voz forte: “Lázaro, vem para fora!” Ainda com os sinais da morte e as amarras deste mundo – os lençóis mortuários e o pano no rosto – o morto saiu. E Jesus disse: “Desatai-o e deixai-o caminhar!”.

Nossos entes que partiram não “são seres etéreos, despersonalizados, com uma identidade vaga e difusa, isolados em um mundo misterioso, alheios ao nosso carinho. (…) Mas, para um cristão, morrer não é perder-se no vazio, longe do Criador. É precisamente entrar na salvação de Deus, compartilhar sua vida eterna. Viver transformados por seu amor insondável. Nossos defuntos não estão mortos. Vivem a plenitude de Deus que preenche tudo, que tudo encerra. (…) Não podemos desfrutar de seu olhar, nem escutar sua voz, nem sentir seu abraço. Mas podemos viver sabendo que nos amam mais do que nunca, pois nos amam a partir de Deus. (…) Sua alegria não tem fim. Sua capacidade de amar não conhece limites nem fronteiras. Não vivem separados de nós, mas muito mais dentro de nosso ser do que nunca. Sua presença transfigurada e seu carinho nos acompanham sempre. (…) Podemos caminhar envoltos por sua presença, sentir-nos acompanhados por seu amor, gozar com sua felicidade, contar com seu carinho e apoio; podemos inclusive comunicar-nos com eles em silêncio o com palavras… já não vivem entre nós, mas não os perdemos. Não desapareceram no nada. Podemos amá-los mais do que nunca, pois vivem em Deus. É Jesus que sustenta nossa fé: ‘Eu sou a ressurreição e a vida: quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá’.” (idem, p. 170-171).

Caminhemos com Jesus, vivendo intensamente nossa quaresma, para com ele termos, na Páscoa e na Páscoa eterna, vida e ressurreição. Deus não quer a morte, mas quer que vivamos; quer que o povo viva e caminhe. “Desatai-o e deixai-o caminhar!” é também um apelo atual. Façamos sair das sepulturas e ajudemos a tirar as ataduras que amarram nosso povo! Não deixemos as autoridades amarrarem e sepultarem… Lutemos por ressurreição e vida!

 

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