DEUS DOS CRUCIFICADOS

Muitos tempos e culturas
Te fizeram onipotente,
Poderoso, onipresente,
Deus eterno das alturas…
Omitiram tua loucura
De amor, na cruz pregado,
Injustamente condenado
Por processo de manobras.
Cruz dá sentido à tua obra:
Viver nos crucificados.

A cruz mostra autoridades
Da política e religião
Condenando sem razão
Com seu poder e vaidade.
Mas revela a identidade
Do nosso libertador
Que dá a vida por amor
Às vitimas deste mundo.
É o gesto humano fecundo
Do mistério redentor.

Pendurado no madeiro
Sem poder dominador,
Sem beleza e sem vigor,
Sem êxito e sem dinheiro…
No matadouro o cordeiro,
Deus humilde e paciente,
Compartilha e tem presente
A dor dos injustiçados:
É o Deus dos crucificados,
Das vítimas inocentes.

Na cruz com Jesus estão:
As mulheres maltratadas,
As crianças violentadas,
Idosos na solidão,
Esquecidos da religião,
Jovens de vida vazia,
Vítimas de epidemias,
Traficados e haitianos,
Os de estado desumano
Nas nossas periferias…

Na cruz não está um poderoso
Nem um chefe de estado;
Sem riqueza e doutorado,
Sem aspecto majestoso…
Sempre amável e bondoso,
Muito fraco, mas atento
Aos humanos sofrimentos
De quem carrega a sua cruz.
A sua morte traz mais luz
Para a vida e enfrentamento.

Contemplando-te na cruz
Nós queremos compreender
Que nossa cruz e sofrer
Sempre te atinge, Jesus.
Tua morte cruel seduz
A crer num Deus que socorre,
E sua vida não transcorre
Longe de nossas desgraças:
Ele os calvários abraça
Do povo que sofre e morre.

Perdão te pedimos, Senhor,
Pois temos dificuldade
De olhar com profundidade
Da cruz, sentido e fulgor.
Vemos morto o Redentor,
Mas desviamos o olhar
E não queremos contemplar
Os crucificados de agora
E os apartamos pra fora
De nossa vida, sem lugar.

Enquanto na cruz se escuta
Impropérios e ofensas
Torna-se ainda mais tensa
A hora de dor e labuta.
No meio da cena bruta
Os algozes e os soldados
Desprezam o condenado
Com seus deboches impróprios:
‘Desce! Salva-te a ti próprio,
Tu que até perdoas pecados!

Porém, do teu coração
Enfraquecido no tormento
Misericórdia e alento
Afloram no teu perdão.
Sussurras uma oração:
“Perdoa-lhes, Pai, estás vendo,
Não sabem o que estão fazendo”.
E o ladrão arrependido
Por ti, Jesus, é acolhido
Em meio ao drama tremendo.

Não queres sangue nem fome
Nem o Pai quis a tua morte.
Mas não impôs outra sorte
Por respeitar cada homem
E a liberdade em seu nome.
Tenhamos firme na memória
Que a nossa única vitória,
Ao celebrar tua Paixão,
É reavivar a compaixão
Com os crucificados da história!!!

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