DE ESMOLEIRO A HERDEIRO DO REINO

 

Naman, já foste acolhido

Por pessoas queridas

E por seres mais queridos

No Reino eterno de vida!

 

Pobre e pequeno indiozinho

Em Chapecó na rua atropelado.

Na internet vibram cainhos:

“Esmoleiro a menos pedindo trocados”.

 

Irmã Delminda te antecedeu,

Naman, por apenas um mês.

Ela que sempre teu povo acolheu

Te acolhe agora mais outra vez.

 

Que Deus conforte a família

Do frágil e pequeno Naman,

Com quem vive da plenitude a partilha,

Agora, sem morte e sem amanhã.

 

Naman não foi esmoleiro maldito,

Seu jeito de viver não era “ao léu”.

Ele é um pobre de espírito e aflito:

Bendito, “é deles o Reino dos céus”.

 

Pretensos superiores, inconsequentes,

Por aí campeiam às mancheias,

Vibram ferozes com acidentes

E com a dor da morte alheia.

 

Que Deus tenha misericórdia

Desses escassos desalmados,

No ensimesmamento e discórdia,

E na mediocridade acorrentados.

 

Deus perdoe os de pífia grandeza

Que se julgam acima e muito mais..

Uma cultura superior à outra é torpeza,

Visão curta, de que somos desiguais.

 

Que o Deus das profundezes e alturas

Ajude os experts da desumanização

A evacuarem o engano de postura

De seu petrificado coração.

 

Esquecem que no humano tempo

De passagem na via terrestre,

O culto do amor e o bem são o templo

Que eleva à pátria celeste.

Ivo Pedro Oro (fev/2017)

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