CAMINHOS PARA ENCONTRAR-NOS COM JESUS RESSUSCITADO

UMA REFLEXÃO SOBRE O EVANGELHO DO 3º. DOMINGO DA PÁSCOA – dia 30/04 – Lc 24,13-35

O relato dos discípulos de Emaús (provavelmente um casal) pode ser um espelho de nossa experiência. Eles estavam desanimados, depois da morte de Jesus, e iam embora para sua casa. Mesmo conhecendo textos do Antigo Testamento e tendo escutado e convivido com Jesus, que falava de sua morte e ressurreição; e mesmo já sabendo que as mulheres encontraram o sepulcro vazio, não estavam acreditando nem encontrando o Ressuscitado. É como acontece com a gente. Cremos em Deus, sabemos alguns textos bíblicos, rezamos o Creio, vamos à igreja de vez em quando, praticamos algumas devoções em casa, mas encontrar-nos com Jesus Ressuscitado, fazer a experiência de um encontro íntimo com ele, e crer na ressurreição da vida é muito difícil. O texto desse evangelho nos aponta dois caminhos para o encontro com o Ressuscitado.

  1. Escutar a Palavra de Jesus

Quando, mesmo em situação de desânimo e desalento, falamos de Jesus, comentamos sua palavra e suas ações, e refletimos sobre o que já se viveu com Ele, começa a “arder nosso coração”. O pior é, nos momentos de dúvidas e de trevas, simplesmente abandonarmos o evangelho e nos afastarmos da igreja, entrando numa rotina de tristeza e vazio existencial. Pagola nos garante: “Onde alguns homens e mulheres recordam Jesus e se perguntam pelo significado de sua mensagem e de sua pessoa, ali está Ele, embora eles sejam incapazes de reconhecer sua presença” (Pagola, O Caminho Aberto por Jesus – Lucas, p. 359).

Não adianta esperar por milagres nem por prodígios extraordinários. É na simplicidade da vida, relembrando, remoendo e revivendo sua palavra e sua prática que permitimos “arder nosso coração”. E esse é o primeiro passo para reconhecer e sentir sua presença em nós e no meio de nós. Senão ocorre como no caminho de Emaús: “seus olhos não eram capazes de reconhecê-lo”. O Caminheiro que entra em nossa vida, que nos escuta e nos questiona, que sabe ouvir a história de nossa vida e a vida que há em nossa história e trajetória, pode ser um catequista, um padre, um ministro da Palavra, uma pessoa idosa, um jovem descontente com nosso mundo, um líder de movimento popular, um necessitado de nossa companhia e presença… Acolhendo, ouvindo e dialogando, trazemos à tona nossas experiências e enxergamos o quanto Deus está revelado nelas. E isto possibilita um contato pessoal com Cristo ressuscitado.

  1. Viver a Eucaristia na partilha da vida

A partilha do pão e da vida é fundamental para sentir e encontrar-se com Jesus. Ele não se revela nem nas nuvens nem no azul do céu. Mas cá, embaixo, na terra, nos irmãos e irmãos e, especialmente, como lembra na parábola do juízo final, nos necessitados: “Todas as vezes que o fizestes ao menor dos meus irmãos foi a mim que o fizestes”. Os discípulos de Emaus, cansados da viagem, com saudade e necessidade de Jesus, irmanados com o caminheiro, pois sua presença lhes fazia bem, disseram: “Fica conosco, pois já é tarde e a noite vem chegando”. Se antes, com a palavra, o coração já ardia, agora, na mesa/pão/casa partilhados, a cegueira se dissolve e eles enxergam que é Jesus: “Quando sentou-se à mesa com eles tomou o pão, abençoou-o, partiu e lhes distribuía. Nisso os olhos dos discípulos se abriram e eles reconheceram Jesus”. Este encontro na mesa, Lucas coloca como símbolo da celebração eucarística, do celebrar a fração do pão. Mas desta forma, com hospitalidade, solidariedade e acolhimento, não é apenas celebrar, é viver a Eucaristia. É vivendo a Eucaristia que reconhecemos a presença de Jesus nos irmãos e irmãos e no meio de nossa comunidade: “São estas duas experiências-chave: sentir arder o nosso coração ao recordar a mensagem de Jesus, sua atuação e sua vida inteira; sentir que, ao celebrar a Eucaristia, sua pessoa nos alimenta, nos fortalece e nos consola. Assim cresce na Igreja a fé no Ressuscitado” (idem, p. 360).

Nas duas experiências vividas pelos discípulos de Emaús – a escuta da Palavra de Jesus no caminheiro e a partilha do pão e da casa com ele – entra um outro elemento fundamental que está presente nas duas: a prática do amor no acolhimento, na hospitalidade, na partilha, enfim, na vivência verdadeiramente humana. Quanto mais humanos nós formos, mais divinos nos tornamos. Quanto mais vivermos nossa vida de maneira humana e simples, recordando e escutando a palavra de Jesus e partilhando o que temos e somos, mais facilmente fazemos a experiência do encontro com Jesus Ressuscitado. E mais disposição temos para a missão: “Na mesma hora eles se levantaram e voltaram para Jerusalém… e contaram o que tinha acontecido no caminho, e como tinham reconhecido Jesus quando ele partiu o pão”.

 

 

 

 

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