JESUS É A PORTA QUE CONDUZ AO MUNDO NOVO

 

O Evangelho de João apresenta Jesus como a realização da presença de Deus libertador, que no Êxodo se apresentou a Moisés como “Eu sou”, ou “Eu sou aquele que está presente para libertar”. Aí Jesus repete a expressão “Eu sou”: Eu sou o pão da vida, eu sou a luz do mundo, eu sou o bom pastor, eu sou a videira, eu sou o caminho, a verdade e a vida, eu sou a ressurreição e a vida, ou simplesmente “Eu Sou” (8,58). E nesse domingo ele se apresenta para nós dizendo: “eu sou a porta”.

Uma pequena explicação para entender essa imagem. Naquela região, diversos pastores guardavam à noite seus rebanhos num mesmo redil, um cercado feito de taipa de pedra, com uma única porta. Os pastores se revezavam na guarda. Enquanto um vigiava, para impedir a chegada de lobos e ladrões, os demais dormiam numa pequena cabana, num canto, ou em suas casas, se não havia muita distância. Pela manhã, cada pastor ia à porta, chamava suas ovelhas pelo nome, elas o acompanhavam, e ia saindo em direção à água e ao pasto, em meio às pedras e aos penhascos.

A porta da salvação

“Eu sou a porta. Quem entrar por mim será salvo; entrará e sairá e encontrará pastagem.” Temos muitos caminhos nesta vida, mas o único que conduz a salvação é Jesus e seu Reino. Esta é a porta certa para um mundo novo, uma sociedade mais humana, com dignidade e sem violência. Esta é a porta do sentido da vida. É preciso entrar por esta porta e seguir de fato o rumo que ela aponta. Ela abre para uma existência com realização, felicidade e vida plena. Não adianta abrir as portas das ilusões, das ondas consumistas, da busca sôfrega de prazeres rasteiros. Jesus é a porta… Por ele podemos entrar e sair, não tem fechadura e cadeado, nem alarme. Nele temos a liberdade do Espírito. Não somos escravizados nem pelo legalismo, nem pelo engessamento das tradições. Nele nos movemos e caminhamos nas estradas da vida, mas sempre seguindo seus passos…

Entrando por essa porta, temos a garantia da água viva e da pastagem, do alimento que nutre para a vida eterna. Ela abre para a estrada da vida verdadeira: “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância”. Esta era a missão de Jesus e é a nossa também. A vida sempre em primeiro lugar. Lucro dos grandes grupos e empresas, privilégios de uma minoria abastada, leis a serviço de uns poucos privilegiados, governo a serviço de uma minoria, tudo isto vai contra o Reino, porque não conduz para a “vida em abundância para todos”. Os seguidores de Jesus posicionam-se contra as manobras que visam a favorecer os favorecidos de sempre, a manter ou aumentar a desigualdade.

O bom pastor não pula o muro nem assalta a rebanho

“Quem não entra pela porta, mas sobe por outro lugar, é ladrão e assaltante. Quem entra pela porta é o pastor das ovelhas… O ladrão só vem para roubar, matar e destruir…” Jesus está debatendo com os fariseus, que não tinham preocupação com a vida dos pobres, ao contrário, os sobrecarregavam de exigências de ofertas e ritos. É a eles que Jesus se refere quando fala em “maus pastores” e “os que não entram pela porta”. Isto vale para todos nós cristãos hoje. Ou entramos verdadeiramente pela porta de Jesus e do Reino e ajudamos o povo a ter vida em abundância, ou somos “ladroes e assaltantes”.

As ovelhas conhecem sua voz e o seguem

“O pastor caminha à sua frente, e as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz. Mas não seguem um estranho, antes fogem dele.” Precisamos levar a sério este apelo de Jesus. Se somos ovelhas de seu rebanho, é a sua voz que precisamos ouvir e seguir, não as lorotas de tantos babacas que usam sua voz para ganhar dinheiro, e a serviço de interesses dos grandes e aproveitadores do povo. Há cristãos, infelizmente, sem a mínima preocupação de escutar a Palavra de Deus e de se aprofundar nela, como se fosse possível ser cristão hoje sem pautar sua vida pela Palavra. Como afirma Pagola: “O que é primordial e decisivo também hoje é que, na Igreja, nós crentes escutemos ‘a voz’ de Jesus Cristo em toda sua originalidade e pureza, não o peso das tradições nem a novidade das modas, não as ‘preocupações’ dos eclesiásticos, nem os ‘gostos’ dos teólogos, não nossos interesses, medos e acomodações. Isto exige não confundir sem mais a voz de Jesus Cristo com qualquer outra palavra…” (O Caminho Aberto por Jesus – João, p. 142)

Escutemos a voz do Senhor! Deus é nosso Pai e Amigo. Arrisquemo-nos confiar nele totalmente, seguindo sua voz; acolhendo-o, pois é nele que temos Vida. “O primeiro mandamento que nós humanos recebemos de Deus é viver… Nosso primeiro gesto de obediência a Deus é viver, amar a vida, acolhê-la com o coração agradecido, cuidar dela com solicitude, desenvolver todas as potencialidades encerradas em nós.” E “…abertos ao amor, criando em nosso entorno uma vida sempre mais humana” (idem, p. 145).

 

 

 

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