UMA REFLEXÃO SOBRE O EVANGELHO DA SOLENIDADE DA ASCENSÃO – dia 28/05 – Mt 28,16-20

Diferente de Lucas, que narra como Jesus foi subindo e se afastando na sua despedida, Mateus centra a atenção na missão dos discípulos, mas com o poder e a presença de Jesus. Ascensão é a festa da glorificação de Jesus, mas é também o fortalecimento de nosso compromisso com a mesma missão cumprida por Ele, de ajudarmos na ascensão da humanidade hoje, do nosso povo abatido por tantos mecanismos que destroem seus direitos e dignidade.

  1. “Os onze discípulos foram para a Galileia, ao monte que Jesus lhes tinha indicado. Logo que o viram, prostraram-se; alguns, porém, duvidaram. Então, Jesus aproximou-se…”

Nossa missão tem como ponto de partida a Galileia, ou seja a periferia. É daí que se parte em missão. Ali vivenciamos o encontro com Jesus e a verdadeira missão. Ali ouvimos as parábolas do Reino, vimos Jesus acolhendo e perdoando os pecadores, aliviando o sofrimento dos pobres e sofredores, indo ao encontro dos esquecidos e mostrando que Deus é Pai e compaixão. Sem essa “bagagem” não se faz missão… Uns têm mais fé, chegam a prostrar-se, outros duvidam. Como hoje, muita dúvida e indecisão, muita fé frágil e até desviada para a busca do milagre a toda hora, do espetáculo, do show religioso; mas também há fé que impulsiona para o Reino, verdadeiro seguimento de Jesus… Mas, Jesus se aproxima, não está distante, podemos senti-lo.

  1. “… e disse-lhes: ‘Todo o poder me foi dado no céu e na terra. Ide, pois, fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a observar tudo o que vos mandei.”

Jesus não mandou “ensinar uma doutrina”. Somos chamados e enviados para fazer discípulos… Como estamos longe, nós católicos/as, de entender eu somos cristãos para a mesma missão de Jesus! Somos seus discípulos para – pelo anúncio, diálogo, serviço e testemunho – fazermos mais discípulos de Jesus, para que mais gente entre no seu Reino aqui na terra. É pelo seu poder que somos enviados. E, quando as pessoas aceitam Jesus e seu projeto, sejam batizadas e vivam o batismo, fazendo parte da comunidade. Não basta o rito do batismo. O ser cristão não se contenta com o rito do sacramento. É participar e ser comunidade, e é preciso aprofundar-se no ensinamento no Senhor, defender os valores do evangelho, amar o próximo e transformar a sociedade. Afinal, temos compromisso com o Reino de justiça e de igualdade, de dignidade e de vida. Por isso, Jesus insiste: “ensinando-os a observar tudo o que vos mandei”. Nossa prática de vida, nosso ser deve ir gerando, nas relações e vivências, mais discípulos para o Senhor. Senão, somos luz apagada e não cumprimos o “ide, fazei discípulos meus…”.

Somos batizados em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Do Pai… que o sentimos sempre querido; Ele nos criou a todos, nos chama, nos busca a odos, nos educa e acompanha; não fica nos controlando com rigores legalistas, mas nos ama com misericórdia, pois Ele é Pai e Mãe, acima de nós, mas sempre Deus de amor. Do Filho… que é Senhor mas é nosso irmão maior; é Deus ao nosso lado, junto de nós, entre nós. Dele aprendemos a missão de amar os pobres e excluídos e incluí-los na convivência e nos direitos sociais. Sentindo Jesus junto com a gente e seguindo-o, sentimos conosco Deus amigo, amoroso, próximo, verdadeiramente humano, que nos engaja para construirmos o Reino para todos terem vida em plenitude. Do Espírito Santo… Senhor e doador da vida, Ele é Deus dentro de nós, nós o sentimos presente no mais profundo de cada um de nós. Nós sentimos o Espírito como alento, força, luz, coragem, que nos impulsiona à missão e nos santifica. Por Ele chamamos Deus de Pai, mas também evangelizamos os pobres, curamos os corações feridos, ajudamos os cegos de hoje a enxergarem o que há por trás da conjuntura e estrutura da sociedade e anunciamos um tempo de libertação e recuperação da dignidade, da justiça e do direito. Não é o Espírito do intimismo e do sentimentalismo, nem da “sombra e água fresca”.

  1. “Eis que estarei convosco todos os dias, até o fim do mundo.”

A presença viva do Ressuscitado está conosco sempre. Não é personagem do passado. Precisamos senti-lo presente e nos falando, quando acolhemos a Palavra. Está em comunhão conosco quando celebramos em comunidade a Eucaristia. Está no meio de nós quando dois ou mais nos reunimos em seu nome para atividades pastorais, missão de evangelização e trabalhos comunitários. Nós o encontramos e o sentimos (e devemos sempre nos lembrar disso!) quando somos solidários aos necessitados, dando nosso ajuda, seja ao humano pobre individual, seja a grupos e organizações que lutam por direitos sociais e conquistas de dignidade de vida. Pois, ele garantiu: “… todas as vezes que fizeram isso a um dos menores de meus irmãos, foi a mim que o fizeram” (Mt 25,40).

Concluindo, lembremos que iniciamos a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. Neste ano tem como lema: “É o amor de Cristo que nos move” (2Cor 5,14-20). No contexto dos 500 anos da Reforma, oremos e trabalhemos pela unidade, respeito, fraternidade, perdão e ações em defesa da vida entre as diversas denominações. E demos graças a Deus pelo testemunho de amor à Palavra e de valorização dos ministérios. E reconheçamos que é o amor de Cristo que nos move ao ecumenismo e a sermos irmãos e irmãs.

 

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