QUEM SE NUTRE COM A PRESENÇA DE JESUS TEM A VIDA ETERNA

 

Mais do que uma manifestação pública da fé cristã católica na presença de Jesus Cristo na Eucaristia, neste dia precisamos dar à nossa vida o sustento verdadeiro: Jesus, sua palavra, sua vida, sua presença. É hora de rever e retomar o sentido verdadeiro da Eucaristia. A reflexão de Jesus sobre o pão da vida ocorre após o sinal da distribuição e partilha do pão, doado por um menino, e sugerido por André (nome que na origem grega significa humano).

  1. “Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. …Quem come a minha carne e bebe meu sangue tem a vida eterna e eu o ressuscitarei no ultimo dia.”

Jesus fala em alimento. O antigo povo de Deus tivera, no deserto, o socorro de Deus que fez aparecer uma substância meio misteriosa, chamada maná. Comeram e se alimentaram, mas morreram. Só a comunhão com Cristo, com seu projeto e com sua vida, é alimento verdadeiro que dá a vida eterna e garante a ressurreição com ele. Participar da Eucaristia não é apenas “engolir a santa hóstia”. Isto é fácil; para muitos, é banal, o fazem quase mecanicamente. “Comer de sua carne” e “beber de seu sangue” é fazer de Jesus o sentido, a razão, o ideal, a fonte de sustento e de energia para a existência. E a comunhão com ele não se separa da comunhão com os irmãos e irmãs, pois Ele está presente em cada ser humano, especialmente naquele cuja vida está ameaçada e enfraquecida.

  1. “Quem come a minha carne e bebe meu sangue permanece em mim e eu nele. …aquele que me recebe como alimento viverá por causa de mim. …Aquele que come este pão viverá eternamente.”

Podemos nos perguntar a nós mesmos e às nossas comunidades. É Jesus o alimento de nossa vida? No dia a dia, o que alimenta nosso sentido de vida: o dinheiro, o prazer, as distrações, o consumo de mercadorias… ou é, de fato, Jesus Cristo? Fazemos dele nosso alimento para os projetos, para o rumo da existência, para os valores que vivemos e defendemos?… Quem alimenta nossa cabeça e nosso coração? É com Jesus que nos alimentamos, ou comemos e bebemos de fontes poluídas e de nutrientes geneticamente modificados (transgênicos) e contaminados?… É Jesus que alimenta nossas ideias, nossos sentimentos e nossas opções?… Se não for, então Jesus não está sendo o pão que dá vida para nós.

  1. “Se não comerdes deste pão, não tereis a vida em vós.”

Muitos cantos litúrgicos da comunhão nos lembram o compromisso comunitário e comunhão fraterna: “No pão partilhado, Deus seja louvado”; “Comungar é tornar-se um perigo, viemos pra comungar… e incomodar”; “Receber a comunhão com este povo sofrido é fazer a aliança com a causa do oprimido”… Não tem como estar em comunhão com Jesus sem viver e sem comprometer-se com a comunhão fraterna, especialmente com a causa dos pobres e dos excluídos dos diretos e de condições de dignidade de vida.

Comer juntos o pão significa ser companheiros (cum+panis, do latim). E companheiro significa aquele que junto come o pão. O ritual nem sempre expressa bem que o povo reunido celebrando a Eucaristia está, no pão partilhado e comido, celebrando a companhia, a presença, o encontro. E fazendo acontecer a comunhão, alimentando o projeto do Reino num compromisso sério e profundo também com os que não podem estar partilhando a mesma mesa, nem tendo alimento para a família.

Comunguemos com a vida do povo brasileiro que, como disse o Papa Francisco, “vive um momento triste”. Comunguemos com sua lua para defender (e não mais perder) direitos. Que a reforma da previdência e a reforma trabalhista não passem como estão no projeto. Como reza a CNBB, na oração proposta para este dia, “Estamos indignados, diante de tanta corrupção e violência que espalham morte e insegurança. Pedimos perdão e conversão. Cremos no vosso amor misericordioso que nos ajuda a vencer as causas dos graves problemas do País: injustiça e desigualdade, ambição de poder e ganância, exploração e desprezo pela vida humana”… É impossível comungar com Cristo sem compaixão com os que estão empobrecendo e perdendo sua dignidade humana pela safadeza dos que se aproveitam do poder em benefício próprio.

 

 

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