MISSÃO DE JESUS E NOSSA: CURAR E PROMOVER A VIDA

UMA REFLEXÃO SOBRE O EVANGELHO DO 11º. DOMINGO COMUM: dia 18/06/17: Mt 9,36-10,8

Jesus não fica indiferente nem insensível diante do sofrimento alheio, nem vira as costas. Também não pensa: “não é nada comigo” e “não vou me incomodar”. Ele encara a missão: diante das necessidades do povo é necessário agir. A missão é grande e bela, mas é preciso chamar mais gente para essa obra. Ele continua nos chamando ainda hoje…

  1. “Vendo Jesus o povo, sentiu compaixão dele porque estava cansado e abatido, como ovelhas sem pastor. Então disse a seus discípulos: ‘A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi, pois, ao dono da colheita que mande trabalhadores para a sua colheita.”

Jesus vê as multidões, compartilha de seu sofrimento e tem compaixão delas. Não é um vago sentimento. Ele se aproxima, convive, busca formas de ajudar encarnando a misericórdia do Pai. O olhar de Jesus era diferente, cheio de carinho, de amor e de respeito. Não se desviava dos sofredores nem dos pecadores. Sabia que estavam nesta situação por falta de orientação e devido ao abandono das lideranças políticas e religiosas. Quem devia cuidar delas não cuidava, por isso eram “como ovelhas sem pastor”. Jesus tinha uma lúcida  clareza: sabia que essas pessoas sofredoras, rejeitadas pelas lideranças sociais da época, eram mais vítimas do que culpadas de sua situação. Por isso, com essa gente e com os que Ele chamou, Jesus inicia um movimento novo, com nova prática e novos valores: “Deu-lhes autoridade…”

Hoje, nós cristãos recebemos o poder para libertar, para fazer o bem, não autoridade para condenar, discriminar e rejeitar. Como lembra Pagola: “Na Igreja, só vamos mudar quando começarmos a olhar as pessoas como Jesus as olhava. Quando chegarmos a ver as pessoas mais como vítimas do que como culpados, quando nos fixarmos mais em seu sofrimento do que em seu pecado, quando olharmos a todos com menos medo e mais compaixão” (O Caminho Aberto por Jesus – Mateus, p.116).

  1. “Chamou os doze e deu-lhes poder sobre os espíritos impuros para os expulsar e para curar toda enfermidade e doença… Proclamai que está próximo o Reino dos Céus. Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, limpai os leprosos, expulsai os demônios.”

Proclamar que o Reino está chegando e as pessoas podem entrar nele, não se faz só com palavras. O anúncio vem confirmado e comprovado por ações concretas de libertação das pessoas, o que mostra a presença do Reino acontecendo: gente sendo curada, leprosos ficando limpos, angustiados vivendo a esperança, perdidos e abatidos recuperando o ânimo e o sentido de viver. Resumindo a reflexão do Pagola (p.114), esta missão pode e deve acontecer hoje, por meio de nós:

– Curar os enfermos hoje é libertar as pessoas de tudo o que lhes rouba vida e as faz sofrer, sarar a alma e o corpo dos que se sentem destruídos pela dor e angustiados pelas durezas da vida.

– Limpar os leprosos é limpar a sociedade de tanta mentira, hipocrisia e convencionalismo. Ajudar as pessoas a viver com mais verdade, simplicidade e honradez.

– Ressuscitar os mortos hoje é libertar as pessoas do que impede a vida e mata a esperança. É despertar o amor à vida, vontade de lutar, desejo de liberdade nos homens e mulheres que sentem sua vida morrendo aos poucos.

– Expulsar os demônios é libertar as pessoas das escravidões de seus ídolos, que pervertem a convivência e as relações. “Onde se está libertando as pessoas, ali se está anunciando a Deus.”

Certamente, estamos fazendo muito pouco de pastorais sociais e de presença libertadora junto aos que “estão nas periferias existenciais” e “à margem da sociedade”. E no momento atual do Brasil, quantos não têm compaixão do povo abatido e sofrido, que perde os direitos, que vê os recursos de programas sociais serem jogados nos ralos dos ajustes fiscais e engrossando os lucros dos grupos privilegiados. Este povo é vítima; culpados são os homens do poder econômico e político que causam este descaso. E que pena que a maioria dos católicos se contente com alguma catequese e alguma celebração litúrgica, e quase nada de missão!

  1. “Recebestes de graça, dai de graça.”

Tudo o que somos e temos nós o devemos a Deus. Dele recebemos como dom, “de graça”. Deus nos concedeu a vida não para desfrutá-la egoisticamente ao bel-prazer e para o interesse próprio. Na medida em que ouvirmos este apelo de Jesus, “dar de graça” a vida e os dons que dele recebemos em favor de nosso próximo, nós seremos um dom de Jesus para as pessoas e estaremos ganhando e salvando a vida. E na medida em que nos fecharmos em volta de nosso mundinho pessoal e familiar, estaremos reduzindo e desperdiçando a vida…

 

 

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