UMA REFLEXÃO SOBRE O EVANGELHO DO 13º. DOMINGO COMUM: dia 02/07/17: Mt 16,13-19

Veneramos os santos porque seu testemunho de vida cristã nos enriquece e nos anima a seguirmos no mesmo caminho. Como eles venceram as fraquezas e as dificuldades da vida e da missão, nós também podemos superar e vencer. Temos para isso a graça de Deus que nos acompanha e nos liberta. “Agora sei, de fato, que o Senhor enviou o seu anjo para me libertar do poder de Herodes”, diz Pedro na primeira leitura (At 12,1-11). “O Senhor esteve ao meu lado e me deu forças; ele fez com que a mensagem fosse anunciada por mim integralmente, e ouvida por todas as nações; e eu fui libertado da boca do leão”, diz Paulo reconhecendo o poder de Deus em meio aos seus limites, já pronto a oferecer a vida ao Senhor: “Quanto a mim, eu já estou para ser derramado em sacrifício, aproxima-se o momento da minha partida” (2Tm 4,6), afirma ele a Timóteo na segunda leitura. Abertos à graça de Deus, ambos realizaram uma profunda transformação em suas vidas. Pedro era teimoso e covarde, mas tornou-se pedra viva do alicerce da Igreja. Paulo era perseguidor dos cristãos, tornou-se apóstolo e servo, o maior missionário de todos os tempos.

  1. A compreensão a respeito de Jesus e de sua missão

As perguntas “quem dizem os homens que eu sou?” e “vós, quem dizeis que eu sou?” desafiam os discípulos à reflexão e, ao mesmo tempo, a uma tomada de consciência sobre a missão de Jesus. Jesus se deixa avaliar. Quer saber se as pessoas compreendem o objetivo de sua vinda e atuação, o tipo de serviço que como messias veio realizar…Se essa pergunta fosse lançada a nós hoje, como responderíamos?… Possivelmente, de maneira vaga, aérea, muito geral, ou até muito racional, distante, e não algo que brota da vida, de nossa experiência… É bom frequentemente nos fazermos esta indagação: Quem é Jesus para mim e quem eu estou sendo para Jesus?… Da ideia ou imagem que se tem de Jesus pode mudar muito em nossa prática. Se entendemos que Jesus de Nazaré foi o Filho de Deus encarnado em nossa humanidade, igual a nós em tudo, menos no pecado, e que se despojou de qualquer grandeza e honraria humana para dedicar-se e doar-se totalmente aos pobres, doentes, excluídos e pessoas tidas como pecadoras, aí nossa prática, para ser coerente com essa fé, também deve começar a tomar o rumo da solidariedade, da defesa da vida, de priorizar os que têm a vida mais fragilizada, do viver com os outros e para os outros.

  1. Ligar e desligar na terra

Pedro conseguiu dar uma resposta, digamos, até bonita, bem formulada e profunda: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”. Nessa profissão de fé, eele declara Jesus como humano, divino e Messias. Mateus, ao escrever isto e desta maneira, está confirmando a autoridade de Pedro e sua coordenação dos seguidores de Jesus. Por isso, narra que Jesus lhe diz: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno não poderá vencê-la…Eu te darei as chaves do Reino dos céus. …” Na verdade, a pedra de fundamento da Igreja não é apenas Pedro como pessoa, mas é Pedro com sua profissão de fé. Pedro foi um homem disposto e ousado, mas também fraco e medroso. Foi ele que negou três vezes ser discípulo de Jesus e, noutra ocasião, Jesus lhe disse “Afasta-te de mim, satanás, porque você não pensa como Deus e sim como os homens”. Ser pedra viva da construção da Igreja implica a decisão e a vontade de confessar Jesus e de dar a vida por Ele. Foi isto que Pedro fez, após a ressurreição de Jesus. Partiu com tudo para a missão, nada o pôde demover do compromisso missionário.

“Tudo o que ligares na terra, será ligado nos céus; tudo o que tu desligares na terra será desligado no céu”, disse Jesus a Pedro. Aqui Pedro é símbolo da Igreja. Esta é a missão da Igreja. Ela não pode hoje legitimar nem sacramentar todo o que acontece na sociedade consumista e materialista, nem no modo de produção capitalista. Há muitos aspectos sobre os quais é preciso ter a coragem e a clareza evangélica de dizer: isto não está de acordo com a vontade do Pai, não combina com o Evangelho, está desligado do céu. Por outro lado, há muitos aspectos e ações, atitudes, especialmente de pessoas humildes, das quais se pode dizer exatamente o contrário: isto é obra da graça de Deus, é assim que se vive verdadeiramente a fé, este gesto é um evangelho vivo para o mundo de agora e para a comunidade; e isto é ligado no céu…

“Não foi um ser humano que te revelou isto, mas meu Pai que está no céu.” A Igreja pode se manter em pé e firme na missão não apenas com as forças humanas. Ela conta com a graça e com a revelação de Deus, que sempre nos fala e nos chama através dos sinais do tempo presente.

Rezemos neste domingo pelo Papa Francisco, para que tenha a força e a iluminação necessárias para conduzir a Igreja, em comunhão com as Igrejas particulares de todo o planeta. Muita oração por ele, porque sofre muita pressão de grupos que não concordam com a sua linha humana e evangélica de atuação, a serviço do Reino.

Anúncios