PARÁBOLA DO SEMEADOR, NÃO DO COLHEDOR

UMA REFLEXÃO SOBRE O EVANGELHO DO 15º. DOMINGO COMUM: dia 16/07/17: Mt 13,1-19 (ou 13,1-23)

No capítulo 13, Mateus narra sete parábolas do Reino. Começa pela do semeador. Jesus percebia que em tantos lugares e por diversas pessoas, sua mensagem não encontrava boa acolhida. Muitos o viam com desconfiança ou indiferença. Outros até ouviam com atenção, mas na hora do seguimento não conseguiam romper com suas amarras e tradições. Ele, no entanto, não podia desanimar, precisava semear sempre, acreditando na força da Palavra e no poder de Deus. Seu anúncio era semeado pela sua palavra e por contínuos gestos de compaixão para com as pessoas e o povo sofrido. Para Jesus, os obstáculos e resistências ao Reino não podem impedir que se proclame a Palavra. Em muita gente ela produz frutos abundantes, e um dia haverá uma boa colheita.

  1. “Jesus disse-lhes muitas coisas em parábolas: ‘O semeador saiu para semear… Algumas sementes caíram à beira do caminho, os pássaros vieram e as comeram. Outras caíram em terreno pedregoso… brotaram… Mas quando o sol apareceu, ficaram queimadas e secaram, porque não tinham raiz. Outras sementes caíram no meio dos espinhos. Os espinhos cresceram e sufocaram as plantas. Outras sementes caíram em terra boa e produziram à base de cem, de sessenta e de trinta por frutos por semente’.”

Esta primeira parábola de Jesus nos convoca a semear, não a colher. Vale para a Igreja e todos os cristãos de hoje. Muitas comunidades querem boa  participação, liturgias animadas, pastorais organizadas, lotar as igrejas e encher os olhos… Mais do que sonhar com o êxito da colheita, precisamos da paciência e da coragem de semear sempre. “O que falta são semeadores: seguidores e seguidoras de Jesus que semeiam por onde passam palavras de esperança e gestos de compaixão.” (Pagola, O Caminho Aberto por Jesus – Mateus, p. 152).

Por vezes, a Palavra se perde. Outras vezes, as sementes produzem pouco, mas produzem. É preciso acreditar. Jesus mesmo, depois, dá aos discípulos a explicação dos terrenos/pessoas diferentes que recebem a semente: a) Beira do caminho = pessoa que ouve a Palavra, mas deixa o Maligno roubá-la do seu coração. b) Terreno pedregoso = quem recebe a Palavra com alegria, mas é volúvel; quando vem a dificuldade e a perseguição, logo desiste. c) Terreno com espinhos = quem ouve a Palavra, mas deixa as preocupações da vida e a ilusão da riqueza sufocá-la e não dá fruto. d) Boa terra = quem ouve a Palavra e a compreende, e produz frutos, uns mais outros menos. Esses terrenos podem ser comparados com inúmeras situações que hoje criam dificuldade para o Evangelho ser anunciado e vivido, ser acolhido e produzir os frutos que Deus espera: o apego ao capital e a certos bens, a ânsia de diversões e de prazeres, a necessidade de gozar o bem-estar e o conforto, a supervalorização das folgas e acomodação, a mania de não assumir nem se comprometer, o vício de “para a Igreja e o próximo o mínimo possível” e as desculpas de não seguir a Jesus porque agentes pastorais defendem a justiça e os direitos dos pobres…

  1. “Quem tem ouvidos, ouça!”

Jesus espera com ansiedade que acolhamos a semente e produzamos frutos. Ele nos convida a semearmos e a acolhermos sempre a Palavra, com disponibilidade e sinceridade, sem tapeação nem disfarces. Ela nos convida “a ser mais humanos, a transformar nossa vida, a tecer relações novas entre as pessoas, a viver com mais transparência, a abrir-nos com mais vontade a Deus” (Idem, p.153). Para isso, o Evangelho “deve ser apresentado com fidelidade, em toda sua verdade, suas exigências e sua esperança. Sem deformações nem covardias. Sem parcialismos intencionais, nem manipulações interessadas” (p.154).

A Palavra precisa chegar ao coração das pessoas, para aí produzir a conversão, a mudança de atitudes e de opções de vida. E deve chegar a todos e a todas. Para isso, as comunidades não podem ficar no tradicional, no “sempre foi assim”. Como Jesus foi criativo, diferente dos líderes religiosos de seu tempo, hoje todos os cristãos participantes devem sentir-se desafiados à criatividade, a encontrar e construir novos meios e atingir mais espaços para que o Evangelho produza através de cristãos verdadeiros as transformações na sociedade.

Para concluir, vejamos este alerta: “Nosso problema é acabar vivendo com o “coração embotado”. …Temos “ouvidos”, mas não escutamos nenhuma mensagem. Temos “olhos”, mas não vemos Jesus. Nosso coração não entende nada. …Como podemos despertar entre nós a acolhida do Semeador?” (p. 157). Quanta gente vai à igreja, ou tem suas devoções particulares ou familiares, mas não quer se abrir à Palavra de Deus, que nos pede mudança, novo agir e novo ser! Não faz nenhum esforço para pôr no seu coração essa Palavra e não se empenha nada para que ela produza frutos. Quais são os espinhos, as pedras e as aves de rapina que estão devorando e impedindo de vivermos em nossa vida o Evangelho???

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