Uma REFLEXÃO sobre o EVANGELHO do 19º. DOMINGO COMUM: dia 13/08/17:

Mt 14,22-33

Jesus sempre alertou e encorajou seus discípulos sobre as perseguições, dificuldades e adversidades que encontrariam na sua missão. Ao escrever o Evangelho, Mateus tem em mente a realidade de suas comunidades, atravessando inúmeras dificuldades no “mar da vida”, e vai “recriando” as falas de Jesus de um jeito que as ajude a superar “os medos” e “a pouca fé”. É como nós hoje: estamos com medo! Medo de confiar em Deus e no Reino, medo de assumir e viver pra valer o Evangelho, medo de nos doar à comunidade, medo da perda de católicos, medo de que a maioria da juventude não venha a participar da igreja, medo de que o Brasil entre num verdadeiro atraso na justiça e nos direitos. Este evangelho nos pede a tomar posição: pela coragem, que nos anima a enfrentar, e não pelo medo que nos paralisa.

  1. Nossa situação parece desesperadora

A linguagem bíblica retrata com uma simbologia forte. Os discípulos estavam “sós” (sem Jesus), nas trevas da “noite”, no meio do mar (longe da margem, pouca segurança), o vento era contrário (dificultava ir adiante, fazia retroceder), as ondas sacudiam o barco… Assim era “a situação daquelas comunidades cristãs ameaçadas de fora pela hostilidade, e tentadas de dentro pelo medo e pouca fé. Não é esta também a situação de hoje?” (Pagola, O Caminho Aberto por Jesus – Mateus, p. 184). No começo da madrugada Jesus se aproxima caminhando sobre as águas. O medo impede de os discípulos reconhecerem a presença de Jesus, próximo deles; ao contrário, sua falta de fé faz ver “um fantasma”. “Os medos são o maior obstáculo para reconhecer, amar e seguir a Jesus como Filho de Deus que nos acompanha e salva na crise.” (p.18)

  1. “Coragem! Sou Eu, não tenhais medo!”

A presença de Jesus e nossa confiança e certeza de que é nele que nossa vida tem sentido, rumo e segurança, nos transmitem força e confiança no Pai. Pedro aparece aí como modelo de “entrega confiante”, mas também de “medo e fraqueza”. Ao caminhar sobre as águas indo ao encontro de Jesus, quando esquece a Palavra de Jesus (“Vem!”) e fixa o pensamento nas forças do mal, começa a afundar. Pagola afirma que na Igreja hoje é meio parecido: “Temos medo do desprestígio, da perda de poder e de sermos rejeitados pela sociedade. Temos medo uns dos outros: a hierarquia endurece sua linguagem, os teólogos perdem a liberdade, os pastores preferem não correr riscos, os fiéis olham o futuro com temor. No fundo desses medos, existe quase sempre medo de Jesus, pouca fé nele, resistência a seguir seus passos” (p.184). É para nós que ele reclama: “Pessoas de pouca fé! Por que estão duvidando?” Quando se acredita e segue verdadeiramente a Jesus, então provamos a segurança de sua Palavra, a felicidade de fazer parte de seu grupo, a beleza de participar do Reino e o quanto é gostoso não viver para si nem fechado  nos sonhos rasteiros de nossa sociedade materialista e consumista, ao contrário: jogar a vida num ideal mais alto, buscando e gerando a vida para todos e todas.

  1. “Tu és o Filho de Deus”, não um fantasma

Diz o evangelho que, quando Jesus e Pedro entraram no barco, o vento se acalmou. É na presença dele que somos fortes na fé e nos enchemos de coragem. Quanto mais afastados, mais ficamos ao sabor dos ventos e das ondas da sociedade, e menos confiança e menos capacidade de enfrentar as adversidades. Outra coisa. Enquanto não acreditamos no seu ensinamento, ficamos numa fé superficial e nossa vida cristã não passa de um “faz-de-contas”. Há crentes em Deus que veem fantasma no Papa Francisco e ficam com medo, porque ele acolhe a todos, especialmente os refugiados e desprezados, e quer que todos tenham trabalho, terra e teto (“os três T”). Outros veem fantasma quando nossos bispos ou congregações se posicionam contra as reformas do governo que estão tirando os direitos dos trabalhadores e recuando um século em termos de garantias no mundo do trabalho. Outros veem fantasma quando lideranças cristãs e de movimentos populares vão às ruas para tentar impedir os desmandos e podridões nos poderes desta república… Mas Jesus nos alerta e nos garante: “Coragem! Sou eu, não tenhais medo!”… Tomara que, como os discípulos, também nos prostremos diante dele, reconhecendo-o como Filho de Deus e nosso Salvador, e não mais temamos os ventos e as ondas de hoje em dia!… Afinal, “Crer é viver apoiando-nos em Deus, esperar confiantemente nele, numa atitude de entrega absoluta, de confiança e fidelidade” (p. 189).

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