Uma REFLEXÃO sobre o EVANGELHO do 21º. DOMINGO COMUM – dia 27/08/17: Mt 16,13-20

Jesus e os discípulos estão em Cesareia de Felipe, região pagã, próximo de onde Ele iniciou sua missão. Longe do “centro” político, econômico e religioso de seu país. Daí dessa “periferia” ele lança o questionamento e os discípulos precisam responder: “Quem a o povo diz que eu sou?” e “Vocês, quem dizem que eu sou?”.

  1. “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?”

Naquela oportunidade as respostas se resumem mais ou menos nesta: “um grande profeta que ressuscitou e apareceu entre nós”. Mas não passava de um profeta… Jesus se apresentou como “Filho do Homem”, quer dizer, um humano e mortal, e isto complicava na cabeça do povo que esperava alguém “vindo das nuvens do céu”. Hoje em dia, mesmo sendo fundamental a compreensão que se tenha de Jesus, nosso povo ainda espalha afirmações em todas as direções. O entendimento vai desde um ser divino que se fingiu de humano até um revolucionário político. Os filmes também exploram e acentuam aspectos de Jesus, como o seu sofrimento, a dimensão afetiva, o lado glorioso, o poder de curar e outros. A compreensão do Jesus histórico, o Jesus de Nazaré, enquanto ser humano, filho de Maria e de José, trabalhador braçal, participante da sua comunidade, plenamente humano, igual a nós em tudo, menos no pecado… isso é indispensável para uma visão mais correta de Jesus. Ele viveu e participou dos sonhos do seu povo, que rezava, lutava e aguardava pela libertação e salvação do povo pobre, à espera da vinda do Messias que traria um tempo novo para a humanidade. Sua conduta era de sintonia e fidelidade ao sonho profético de um novo céu e uma nova terra, onde reinaria a justiça e o direito… Nada a ver com a imagem de um Jesus mais anjo que humano, ou mais poderoso do que “pastor com cheiro das ovelhas”.

  1. “E vós, quem dizeis que eu sou?”

A resposta de Pedro – “o Cristo, Filho do deus vivo” – apresenta Jesus como o realizador da promessa messiânica, como o Deus-conosco e Salvador. Portanto, aquele que veio realizar a justiça de Deus. Jesus confirma esta confissão de Pedro e manifesta que tal compreensão não ocorre por acaso, mas por graça de Deus, pelo “meu Pai que está no céu”. E, ao Jesus dizer a Pedro “sobre esta pedra construirei a minha Igreja”, Ele está afirmando que a comunidade é construída sobre a verdadeira fé e a confissão prática dessa fé. Dizemos hoje: a fé em Jesus e a fé de Jesus, ter a mesma fé que Jesus teve, no Reino e amor misericordioso do Pai que nos quer todos e todas iguais. A comunidade cristã é uma comunidade convocada por Deus, discípula-missionária, que dá testemunho de sua fé.

  1. “Tudo o que ligares na terra será ligado no céu; tudo o que desligares na terra será desligado no céu.”

Jesus confiou à sua Igreja “as chaves do Reino de Deus”. A Igreja tem a presença de Jesus, seu poder e sua palavra, para levar adiante a mesma missão. “Quando o testemunho cristão é pleno, é o próprio Jesus quem age na comunidade, permitindo-lhe ligar e desligar”, diz Bortolini (Roteiro Homiléticos, p. 211). O Reino é levado adiante pelo testemunho e pelo anúncio, pelo diálogo e serviço. Aliás, a Igreja está a serviço, não é “proprietária do poder de Jesus”. Com sua atuação clara e coerente, fica evidente quem está ligado a Jesus e quem está desligado dele, quem é a seu favor e quem é contra Ele. E seu messianismo é de serviço, não de privilégios nem de ficar aparecendo e se esnobando, por isso pediu que “não dissessem a ninguém que Ele era o Messias”.

Concluindo, é quando nos identificamos com jesus e com sua proposta que podemos melhor confessar quem é Jesus e quem é Ele para nós. E nossa identificação com Ele move dentro de nós a força e a coragem de construirmos seu Reino, mesmo que tenhamos de “desligar” da caminhada aquilo que contradiz o seu reinado.

 

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