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Padre Ivo Pedro Oro

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O Tempo de Deus

Hora de caminhar, hora de parar

Hora de caminhar, hora de parar

Marcelo Barros

“Debaixo do céu, há momento para tudo e tempo certo para cada coisa. Tempo para nascer, tempo para morrer. Tempo para plantar, tempo para colher. Tempo para construir e tempo para destruir… Que proveito o trabalhador tira de todo o seu cansaço?” (Ecle 3,1- 9).

Enquanto, na Bíblia, o Eclesiastes, um dos livros sapienciais, relativiza cada tempo, Jesus propõe que busquemos sempre discernir o que ele chama de “sinais do tempo presente” e agir de acordo com os desafios do momento. Nesses dias, o Catolicismo popular faz milhares de pessoas viajarem de suas casas até santuários como o de Trindade ou do Bom Jesus da Lapa. A fé faz os fiéis superarem todas as dificuldades e deixarem tudo para, através do gesto de caminhar até o santuário, cumprir sua devoção.

Do mesmo modo que a peregrinação é um dos mais antigos atos religiosos nas mais diferentes tradições, também o ato de parar as atividades e fazer greve tem uma dimensão espiritual. As antigas religiões orientais propõem a quietude e até a imobilidade, como atos proféticos, diante da agitação e quando não se sabe como reagir às provocações do mundo opressor. Na cultura judaica, o termo shabbat designa o sábado, dia sagrado do descanso. Mas, mesmo no hebraico moderno, esse termo também significa “greve” como direito sagrado dos trabalhadores.  Os profetas bíblicos sempre se insurgiram contra os que impedem os trabalhadores de parar quando isso é o direito deles. Se o dia consagrado e os cultos religiosos não têm como fundamento o cuidado com a justiça e a preocupação com os direitos dos pobres, eles são idolátricos e fazem Deus afirmar: “O país de vocês está devastado, as terras são devoradas por estrangeiros. A realidade é de desolação. O que me interessa a quantidade dos seus sacrifícios religiosos? (…) Quando vocês vêm à minha presença e pisam no santuário, quem exige isso de vocês? Parem de fazer cultos inúteis. Para mim, o incenso é algo nojento. .. Não suporto injustiça junto com festa religiosa… Quando vocês erguem as mãos para mim, eu desvio o olhar. Ainda que multipliquem suas orações, eu não escutarei” (Isaías 1,7 e 12-15).

Nesses dias, em todo o Brasil, de uma forma suprapartidária, os movimentos de trabalhadores do campo e da cidade, centrais sindicais, pastorais sociais e toda a sociedade civil organizada, concordam que a realidade que o nosso país enfrenta exige uma reação de todo o povo. Por isso, planejam mais uma greve geral. É a continuação da paralização ocorrida no dia 28 de abril, que contou com o apoio de mais de cem bispos católicos, de várias Igrejas evangélicas e do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs. Nesta sexta-feira, 30, a greve vai parar o país. Milhões de pessoas irão às ruas para gritar contra as medidas tomadas pelo governo que rouba direitos conquistados dos trabalhadores e entrega as riquezas nacionais a corporações estrangeiras.

No contexto atual brasileiro, essa convocação para a greve geral é um apelo para a responsabilidade de todos no destino do país. Ao parar os trabalhos e mesmo sair às ruas para exigir mudanças na realidade social e política do país, as pessoas estarão afirmando que, mesmo com toda a anestesia social provocada pelos grandes meios de comunicação, a preocupação com o bem comum, o exercício da cidadania e a fraternidade humana continuam vivas.

Conforme o evangelho, quando Jesus entrou em Jerusalém para celebrar a Páscoa, a multidão de peregrinos o aclamou como o enviado de Deus para libertar o povo dos seus opressores. A expressão Hosanah que era a aclamação litúrgica de um salmo podia ser compreendida como o grito: Liberta-nos! Lucas conta que, ao verem que aquela peregrinação tomava o caráter de  manifestação política nas ruas, alguns mestres da religião disseram a Jesus para mandar os discípulos e o povo se calarem. Jesus lhes respondeu: “Se eles se calarem, até as pedras gritarão”(Lc 19, 40). Certamente, essas palavras de Jesus servem para descrever a realidade atual brasileira e a responsabilidade de todo o povo gritar por mudanças. Quem tem fé pode acreditar que o Espírito de Deus que conduziu o povo bíblico da escravidão a uma terra livre, agora, impulsiona os grupos sociais e as pessoas que têm fome e sede de justiça para a felicidade de realizar o projeto divino nesse mundo.

 

 

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CNBB estimula uma Jornada de oração pelo Brasil por ocasião do próximo Corpus Christi (IHU – 12 Junho 2017)

CNBB estimula uma Jornada de oração pelo Brasil por ocasião do próximo Corpus Christi  –    12 Junho 2017

O Conselho Episcopal de Pastoral (Consep) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) após refletir sobre a realidade do Brasil em sua última reunião, dias 30 e 31 de maio, está organizando uma corrente de oração pelo Brasil, a ser realizada em todas as comunidades, paróquias, dioceses e regionais do país, no dia 15 de junho, data em que a Igreja celebra o Corpus Christi.

Segundo o bispo auxiliar de Brasília e secretário-geral da CNBB, dom Leonardo Steiner, a Jornada de Oração é uma oportunidade para que os cristãos prestem esse serviço ao país, num momento de tantas incertezas, corrupção e injustiças, numa data tão simbólica em que a Igreja celebra a presença singela, próxima, alimentadora e esperançada de Jesus na Eucaristia.

Um dos trechos da oração, encaminhada a todos os bispos do país pelo Consep, pede: “Estamos indignados, diante de tanta corrupção e violência que espalham morte e insegurança. Pedimos perdão e conversão. Cremos no vosso amor misericordioso que nos ajuda a vencer as causas dos graves problemas do País: injustiça e desigualdade, ambição de poder e ganância, exploração e desprezo pela vida humana”.

 

Eis a oração:

Jornada de Oração pelo Brasil
Dia de “Corpus Christi”
15 de junho de 2017

A verdadeira paz começa no seu coração

Diante do grave momento vivido por nosso país, dirijamos nossa oração a Deus, para que dê a paz ao Brasil e ao mundo inteiro. “Reconhecemos a necessidade de rezar constantemente pela paz, porque a oração protege o mundo e o ilumina. A paz é o nome de Deus”. (PapaFrancisco)

 

Pai misericordioso, nós vos pedimos pelo Brasil!

Vivemos um momento triste, marcado por injustiças e violência. Necessitamos muito do vosso amor misericordioso, que nunca se cansa de perdoar, para nos ajudar a construir a justiça e a paz, em nosso país.

Pai misericordioso, nós vos pedimos pelo Brasil!

Estamos indignados, diante de tanta corrupção e violência que espalham morte e insegurança. Pedimos perdão e conversão. Cremos no vosso amor misericordioso que nos ajuda a vencer as causas dos graves problemas do País: injustiça e desigualdade, ambição de poder e ganância, exploração e desprezo pela vida humana.

Pai misericordioso, nós vos pedimos pelo Brasil!

Ajudai-nos a construir um país justo e fraterno. Que todos estejam atentos às necessidades das pessoas mais fragilizadas e indefesas! Que o diálogo e o respeito vençam o ódio e os conflitos! Que as barreiras sejam superadas por meio do encontro e da reconciliação! Que a política esteja, de fato, a serviço da pessoa e da sociedade e não dos interesses pessoais, partidários e de grupos!

Pai misericordioso, nós vos pedimos pelo Brasil!

Vosso Filho, Jesus, nos ensinou: “Pedi e recebereis”. Por isso, nós vos pedimos confiantes: fazei que nós, brasileiros e brasileiras, sejamos artesãos da paz, iluminados pela Palavra e alimentados pela Eucaristia.

Pai misericordioso, nós vos pedimos pelo Brasil!

Vosso filho Jesus está no meio de nós, no Santíssimo Sacramento, trazendo-nos esperança e força para caminhar. A comunhão eucarística seja fonte de comunhão fraterna e de paz, em nossas comunidades, nas famílias e nas ruas. Seguindo o exemplo de Maria, queremos permanecer unidos a Jesus Cristo, que convosco vive, na unidade do Espírito Santo.

Amém!

(Pai nosso! Ave, Maria! Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo!)

 

SEMANA DE ORAÇÃO PELA UNIDADE DO CRISTÃ (28 de maio a 4 de junho)

A Semana de Oração pela Unidade Cristã (SOUC) vem com a temática: “Reconciliação: é o amor de Cristo que nos move – Celebração do 500º. Aniversário da Reforma”. Na atividade, não apenas católicos e luteranos estarão engajados, mas também batistas, metodistas, anglicanos, presbiterianos, ortodoxos, entre muitos outros.

Atividades como a SOUC soam como um bálsamo no mundo de hoje, onde prospera, com cada vez mais velocidade, as ações individualistas, hedonistas e de caráter excludente. É imperativo que pessoas cristãs, tornadas irmãs pela fé em Jesus Cristo, deem o testemunho conjunto de Jo 17:21: “para que todos sejam um, Pai, como Tu estás em mim e Eu em Ti. Que eles também estejam em nós, para que o mundo creia que Tu me enviaste.” (www.conic.org.br)

“’O amor de Cristo que nos move’ nos desafia para que olhemos para os muros que nos separam como sociedade, igrejas e religiões. Os exclusivismos são os muros que nos dividem. Assim como os preconceitos, a falta de diálogo, a arrogância, a intolerância. (…) Não podemos cair na tentação de nos sentirmos uns melhores do que os outros. As pessoas batizadas, independentemente da confessionalidade, professam a fé em Jesus Cristo. O testemunho de Jesus foi o de reconhecer o próximo naquela pessoa que está distante e com quem, muitas vezes, temos dificuldades de nos relacionar em função dos preconceitos e das desigualdades sociais. (…) Vamos experimentar tirar tijolos dos muros que nos dividem. Através das frestas, veremos a beleza do amor de Deus que se manifesta em Jesus Cristo e nos anima a experimentarmos uma diversidade que pode sim, ser reconciliada”  (livro da Semana de Oração pela Unidade Cristã, p. 4-7).

QUARESMA: PODE SER DIFERENTE

QUARESMA: PODE SER DIFERENTE

A festa da Páscoa é a mais importante no calendário litúrgico da Igreja Católica. Para prepará-la bem, desde os primeiros séculos do cristianismo, costuma-se ter não apenas um ou três dias de preparação, mas quarenta. O número quarenta na Bíblia é simbólico. Lembra o tempo necessário de treinamento para viver uma vida nova, uma nova realidade. Assim, temos os quarenta anos do povo israelita no deserto, preparando-se para chegar à terra prometida. Temos os quarenta dias de retiro e deserto de Jesus, vencendo as tentações de seu tempo, preparando-se para realizar a sua missão.

A quaresma vai da quarta-feira de cinzas até a celebração da bênção dos óleos, na quinta-feira santa. Portanto, um pouco mais de quarenta. Mas a vivência deste tempo deve ter o “espírito de quarenta”, ou seja, de treinamento, fortalecimento, penitência para uma profunda mudança de vida.

 Tempo de penitência e conversão

Este é um tempo forte em que Deus nos convoca a voltarmos para Ele e para os irmãos e irmãs, no amor e fraternidade, vencendo o egoísmo, a ganância e o fechamento. Ninguém muda e se aperfeiçoa sem sacrifício e sem esforço. Para estarmos unidos aos sentimentos de Cristo e trilhando o caminho da Páscoa, fazemos na quaresma nossa “penitência”: um tempo mais denso e intenso de espiritualidade, cultivando a oração, o amor a Deus na escuta de sua Palavra e a solidariedade aos irmãos. Mas não é tempo de tristeza, e sim de alegria interior pela vida nova que, em Cristo, Deus nos oferece.

Tradicionalmente, há séculos, a Igreja estabelecia jejum na alimentação da quarta-feira de cinzas e abstinência de carne todas as sextas-feiras quaresmais. Isso ainda está em vigor, mas pode-se adaptar para outras coisas (abstinência de bebida alcoólica, de doces, de enlatados, do exagero de produtos de embelezamento, de uso de celular ou de outros supérfluos). Isto terá um valor espiritual maior se, o que gastaríamos com tais coisas, for doado em solidariedade aos pobres, sobretudo através de iniciativas e instituições sociais. Senão, seria uma poupança em benefício de si próprio.

As penitências têm para nós um valor pedagógico e teológico. Ao mesmo tempo em que nos fortalecem para termos mais autodomínio e autocontrole sobre nossas tendências e sobre os vícios (as tentações do prazer, do acumular e do poder), nos levam a participar do sofrimento, paixão e morte de Jesus, para ressuscitarmos com Ele para uma vida nova. É como diz a oração do Prefácio da quaresma: “Pela penitência da quaresma, corrigis nossos vícios, elevais nossos sentimentos, fortificais nosso espírito fraterno e nos garantis uma eterna recompensa”; e “o jejum e a abstinência que praticamos, quebrando nosso orgulho, nos convidam a imitar vossa misericórdia, repartindo o pão com os necessitados”.

Cultivar e guardar a criação 

A Campanha da Fraternidade constitui um modo excelente de vivermos o sentido de conversão e renovação da quaresma. Neste ano, as Igrejas nos convidam a mudarmos de vida e a prepararmo-nos para a Páscoa cultivando e guardando a obra da criação de Deus, possibilitando a recuperação dos diversos biomas. Sem esse compromisso com a vida do planeta, nossa alegria pascal não será plena.  Somos chamados a viver a paz conosco mesmos (paz interior), com nosso próximo (familiares, vizinhos, colegas e comunidade), com a natureza (defendendo a água, o solo, o ar, as matas, a biodiversidade) e com Deus (dimensão do perdão e da reconciliação).

 

Poesia: ANO NOVO

ANO NOVO

Se houver mudanças políticas

Será, pois, um Feliz Ano Novo.

Não como as últimas emendas,

Mas projetos que atendam

Direitos do nosso povo…

 

Será, de fato, um Ano Bom

Se estancarmos a corrupção

Das várias instâncias da nação

Da cultura do jeitinho

E do nosso coração.

 

Será um Ano de Prosperidade

Se as leis e novas medidas

Ajudem acontecer igualdade,

Com justiça e liberdade

Dando prioridade para a vida.

 

Se os meios de comunicação

E a Justiça, que se contradiz,

Tratarem todos como iguais;

Sendo, deveras, imparciais…

Então será um Ano Feliz…

 

Será um Ano Venturoso

Se dentro de nós a conversão

Nos impulsione para a luta

Contra os projetos da direita,

Com os oprimidos aliança e ação.

 

Enquanto se espera cair do céu

Mudanças, de mão beijada,

Brasil não vai se transformando…

Feliz Ano Novo para o povo

É o povo na luta pela virada.

(01.01.2017)

Poesia: FIM DE ANO

FIM DE ANO

Fim de ano. Nós passamos.

O tempo passa. A vida se vai.

Nós nos vamos…

Os últimos dias

Foram de intensas festas.

Para muitos, infelizmente,

Densamente

Funestas e indigestas.

Deram presentes,

Mas não doaram de si mesmos,

Com generosidade,

Amor e gratuidade.

Muitos receberam coisas

Sem acolher

Quem as ofertou,

E sem oferecer.

Brindaram com ruídos

Nos momentos de prazer,

Mas sem encontrar sentido

De alegria verdadeira,

Sem perdoar e conviver.

Abraçaram sem ter afeto,

Pois em comum não existe

Nenhum projeto.

E tantos, quiçá,

Deram à mercadoria um valor

Que não atribuem às pessoas,

A quem devem eternamente amor.

Houve até quem no Natal,

Pensando celebrar bem,

Aproximou-se dos salões de Herodes

E não da manjedoura de Belém.

Sem falar no embriagado pela ilusão

De compras e de papai noel:

Ofuscou-se nas trevas de tanta luz

Que nem com seus pisca-piscas

Faz nascer a luz de Jesus.

 

Entre tantos vazios e desenganos,

Vivamos mais sóbrios e atentos

Cada dia e cada momento

Do novo e abençoado ano!

Comentário do padre Tedesco sobre fim de ano (30.12.2008) é sempre atual

“Na antevéspera do final do ano, temos a sensação de estarmos chegando a uma grande final. É difícil escapar desta sensação, ao presenciarmos as grandes promoções das redes de televisão, ao escutarmos os programas dos “reveillons” espetaculares, ao sermos deslumbrados pelos sensacionais espetáculos pirotécnicos mundo afora, ao vermos as ofertas de pacotes mirabolantes de viagens para quem nada em dinheiro.

Na realidade, nosso dia a dia é diferente. Chegamos ao final de mais um ano, quem sabe com muitas lutas, muito suor, muitas alegrias e também muitos sofrimentos. O que devemos fazer é nos perguntar, como cristãos, que atitudes realistas deveremos assumir num momento assim de mais um final de ano.

Uma primeira atitude, deveria ser de adoração, de profunda adoração diante do presépio, contemplando o exemplo admirável e nunca suficientemente compreendido do mistério da encarnação, do Deus que se fez criança, nascendo no coxo de uma estrebaria, à margem dos feitos retumbantes da história, no silêncio da noite. “E o verbo se fez carne e armou sua tenda entre nós”, nos diz exatamente a liturgia do NATAL!

Uma segunda atitude deveria ser um grito trasbordante de ação de graças por essa solidariedade de nosso Deus que se igualou a nós, para nos elevar em nossa dignidade humana de filhos de Deus e irmãos de todos.

Ação de graças! Eis a atitude fundamental dos cristãos das comunidades na passagem de mais um ano. Vamos nos reunir em nossas comunidades e agradecer o ano que passou. Depois até podemos nos divertir. Por que não?! Mas antes, não esquecer de dizer: Muito obrigado, meu bom Deus, pelo ano que passou, pela vida que nos conservaste, pelo carinho de tua graça que sempre nos acompanhou!

Bendito seja Deus na graça incomensurável que ele nos deu de nos visitar mais uma vez em seu amado Filho!

Bendita seja a grande Mãe de Deus, Santa Maria de Nazaré, que aceitou receber em seu seio esta graça que veio acampar entre nós!

Feliz ano novo para os homens e mulheres amados de Deus!”

VIVER BEM O ADVENTO, SE QUISERMOS TER UM FELIZ NATAL

VIVER BEM O ADVENTO, SE QUISERMOS TER UM FELIZ NATAL

Preparando o Natal

O ditado popular diz que “o melhor da festa é esperar por ela”. Porém, além de esperar, é preciso entrar no clima, vivenciar, fazer acontecer aquilo que dá sentido a essa festa.

De cara, é bom que se diga, do ponto de vista cristão, a ênfase no papai noel mais atrapalha do que ajuda. Seria melhor pensarmos e agirmos assim: mais Jesus e menos papai noel! Mais presença e menos presentes!

Advento: tempo de renascer em nós o que há de mais humano

A espiritualidade do advento nos impulsiona a vivermos a vida numa atitude de atenção e vigilância, preparando a alegre chegada de Jesus que veio há dois mil anos; que sempre vem de novo a nós e em nossa história; e que virá uma segunda vez de forma definitiva. Se bem preparada a chegada, daremos a ele uma amorosa acolhida.

Como nosso mundo está contaminado por tantas práticas e fatos que não condizem com a presença de Jesus nem com seu projeto, é bom aguçarmos nossa sensibilidade para discernir e captar os sinais de Deus na história e na vida pessoal. Perceber o que é presença de seu projeto e de sua vida, e o que é rejeição de sua pessoa e negação da sua proposta do Reino no hoje da nossa história.

Para isso, nada melhor do que cultivar a humildade e dar passos rumo a uma profunda conversão, seja na vida pessoal seja no engajamento social e comunitário, seja na vida eclesial, seja diante do cosmo e do planeta. Há muito a ser convertido para haver verdadeiras relações fraternas, baseadas no cuidado e no amor.

Advento é tempo de esperança, da qual, como cristãos, somos chamados a ser sempre testemunhas. Como Deus entrou em nossa história, sobretudo por Jesus, superemos todo desencantamento e pessimismo. E arregaçar as mangas, mãos à obra! Engajemo-nos solidariamente pela transformação do mundo. Temos muito a FAZER, e muito mais a SER e a TESTEMUNHAR, perto e longe de nós. Podemos ajudar muita gente a ser mais livre e feliz, com mais igualdade, tolerância e convivência de paz.

Vamos contribuir para uma grande reconciliação de todos os povos e culturas! Na expectativa e espera vigilante do Natal, vamos ao encontro de tantos irmãos e irmãs, que estão debaixo de lonas, nos asilos e casas de acolhida, nos lares de idosos e hospitais, e os que estão na solidão, no abandono, no esquecimento, mesmo próximos dos seus…

O Natal será Santo e Feliz, somente se na vida eclesial, pessoal, familiar e social fizermos acontecer um pouco ou muito daquilo que Jesus veio viver e realizar. Senão, fingimos que acolhemos Jesus, quase nos babamos de tanto falar em papai noel, enchemos mesas de comidas e presentes, entupimos celulares e computadores de mensagens, mas sem encontro com Jesus, não será Natal de verdade. Pode ser um carnaval disfarçado ou uma idolatria com ares de religiosidade.

TERMINA O ANO SANTO, MAS A MISERICÓRDIA CONTINUA

TERMINA O ANO SANTO, MAS A MISERICÓRDIA CONTINUA

Dia 20 de novembro encerrou-se solenemente o JUBILEU EXTRAORDINÁRIO DA MISERICÓRDIA, proclamado pelo Papa Francisco. Pudemos vivenciar momentos, atitudes, ações e gestos concretos e celebrações que nos ajudaram a aprofundar e viver melhor esta essência de Deus, que é a misericórdia. Valorizamos e celebramos o sacramento da reconciliação. Bendizemos a Deus por ser misericordioso conosco e nos abrimos a acolher sua misericórdia, seu perdão infinito para quem o acolhe e busca caminhar com Ele. Com a cruz peregrina nos unimos mais entre as comunidades, e tomamos consciência de que seguir a Jesus e viver a misericórdia é também carregarmos nossa cruz, que implica em renúncia de si e prática do amor fraterno. Quem faz verdadeiramente a experiência da misericórdia do Senhor não se sente bem sem vivê-la com o próximo. Foram muitos os gestos de perdão e de reconciliação entre as pessoas, testemunhando o intenso perdão que Deus sempre nos concede. Os rituais da porta santa foram marcantes, em muitos lugares para milhares de pessoas que entenderam e assumiram de entrar pela porta estreita do Reino de Deus, pois larga é a porta e largo o caminho que conduz para os reinos deste mundo. Agora fechamos a porta santa, mas vamos manter abertos os corações para a misericórdia com os últimos da sociedade.

Recordemos uns pontos que podem ser retomados diariamente, a partir do documento do Papa Francisco “O Rosto da Misericórdia”.

Já no início, ele nos lembra queMisericórdia: é a lei fundamental que mora no coração de cada pessoa, quando vê com olhos sinceros o irmão que encontra no caminho da vida. Misericórdia: é o caminho que une Deus e o homem, porque nos abre o coração à esperança de sermos amados para sempre, apesar da limitação do nosso pecado”. Em seguida, acrescenta: “Há momentos em que somos chamados, de maneira ainda mais intensa, a fixar o olhar na misericórdia, para nos tornarmos nós mesmos sinal eficaz do agir do Pai. Foi por isso que proclamei um Jubileu Extraordinário da Misericórdia como tempo favorável para a Igreja, a fim de se tornar mais forte e eficaz o testemunho dos que creem”.

Cita São João XXIII que na abertura do Concílio indicou como rumo da Igreja: « Nos nossos dias, a Igreja de Cristo prefere usar mais o remédio da misericórdia do que o da severidade”. E lembra que o Beato Paulo VI assim falou na conclusão do Concílio: « Desejamos notar que a religião do nosso Concílio foi, antes de mais, a caridade”. Em outras palavras, cristianismo é a religião da vida, da comunhão com Deus, vivendo no amor com os irmãos e irmãs.

E Francisco insiste: “Quanto desejo que os anos futuros sejam permeados de misericórdia para ir ao encontro de todas as pessoas levando-lhes a bondade e a ternura de Deus! A todos, crentes e afastados, possa chegar o bálsamo da misericórdia como sinal do Reino de Deus já presente no meio de nós”.

Retomando São João Paulo II adverte que “a mentalidade contemporânea, talvez mais que a do homem do passado, parece opor-se ao Deus de misericórdia e, além disso, tende a separar da vida e a tirar do coração humano a própria ideia da misericórdia. A palavra e o conceito de misericórdia parecem causar mal-estar ao homem…”

Viver a misericórdia na prática

O Papa Francisco deixa claro que “É determinante para a Igreja e para a credibilidade do seu anúncio que viva e testemunhe, ela mesma, a misericórdia. A sua linguagem e os seus gestos, para penetrarem no coração das pessoas e desafiá-las a encontrar novamente a estrada para regressar ao Pai, devem irradiar misericórdia. (…) onde a Igreja estiver presente, aí deve ser evidente a misericórdia do Pai”.

E aponta para ações concretas, gestos bem práticos, além das tradicionais obras corporais e obras espirituais de misericórdia. Diz ele: “Neste Ano Santo, poderemos fazer a experiência de abrir o coração àqueles que vivem nas mais variadas periferias existenciais, que muitas vezes o mundo contemporâneo cria de forma dramática. Quantas situações de precariedade e sofrimento presentes no mundo atual! Quantas feridas gravadas na carne de muitos que já não têm voz, porque o seu grito foi esmorecendo e se apagou por causa da indiferença dos povos ricos. Neste Jubileu, a Igreja sentir-se-á chamada ainda mais a cuidar destas feridas, aliviá-las com o óleo da consolação, enfaixá-las com a misericórdia e tratá-las com a solidariedade e a atenção devidas. Não nos deixemos cair na indiferença que humilha, na habituação que anestesia o espírito e impede de descobrir a novidade, no cinismo que destrói. Abramos os nossos olhos para ver as misérias do mundo, as feridas de tantos irmãos e irmãs privados da própria dignidade e sintamo-nos desafiados a escutar o seu grito de ajuda. As nossas mãos apertem as suas mãos e estreitemo-los a nós para que sintam o calor da nossa presença, da amizade e da fraternidade. Que o seu grito se torne o nosso e, juntos, possamos romper a barreira de indiferença que frequentemente reina soberana para esconder a hipocrisia e o egoísmo”.

E nos alerta contra atitudes que desviam da misericórdia: “Não caiais na terrível cilada de pensar que a vida depende do dinheiro e que, à vista dele, tudo o mais se torna desprovido de valor e dignidade. Não passa de uma ilusão. Não levamos o dinheiro conosco para o além. O dinheiro não nos dá a verdadeira felicidade. A violência usada para acumular dinheiro que transpira sangue não nos torna poderosos nem imortais. Para todos, mais cedo ou mais tarde, vem o juízo de Deus, do qual ninguém pode escapar.”

Afirma a importância do Ano Santo: “Este é o momento favorável para mudar de vida! Este é o tempo de se deixar tocar o coração. Diante do mal cometido, mesmo crimes graves, é o momento de ouvir o pranto das pessoas inocentes espoliadas dos bens, da dignidade, dos afetos, da própria vida. Permanecer no caminho do mal é fonte apenas de ilusão e tristeza. A verdadeira vida é outra coisa. Deus não se cansa de estender a mão.(…) Não será inútil recordar a relação entre justiça e misericórdia. Não são dois aspectos em contraste entre si, mas duas dimensões duma única realidade que se desenvolve gradualmente até atingir o seu clímax na plenitude do amor.

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