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Grão de Mostarda

Padre Ivo Pedro Oro

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Poesias

O sabor da vida

Poesia: BANIR A INTOLERÂNCIA

BANIR A INTOLERÂNCIA

 

O outro, o diferente, o diverso,

Ou a diversa, a outra, a diferente…

É uma pena que em nosso universo

A gente apequene tanto o verso da gente.

 

Por medo ou por insegurança,

Egoísmo, rivalidade ou competição,

Encara-se o outro mantendo distância

Ou arma-se o contra-ataque da rejeição.

 

Não é vista a diferença como outro caminho,

E o outro como outro, em sua possibilidade,

Mas como ameaça e constante perigo

A ser vencido com indiferença e hostilidade.

 

Neste tenso clima de etnocentrismo

Aflora, à toda, o fechamento e estranheza,

Não se aceita como dom o pluralismo

Nem se admite a diferença como riqueza…

 

Frente à outra opção, cultura, cor e etnia

Vivamos a abertura do diálogo e consonância.

Para que as diferenças não sejam hierarquia

Vamos com respeito banir toda intolerância.

 

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Poesia: QUEREM MATAR A VERTENTE

QUEREM MATAR A VERTENTE

 

Trocaram a verdade pela mentira,

A valorização do outro pela ira.

 

Mudaram da política a finalidade:

Vale-tudo pela sua prosperidade.

 

Não mais se visa ao bem comum,

E sim ao enriquecimento de alguns.

 

Os princípios éticos e morais

São trocados por lucros dos capitais.

 

Antes, fins não justificavam meios,

Agora, sem receio põe-se a mão no alheio.

 

Sentenças nos tribunais, na realidade,

Sem nenhum compromisso com a verdade.

 

Enquanto muitos honestos são detidos

São preservados os maiores bandidos.

 

No parlamento aprovam nas votações

Os desejos dos ricaços e ladrões.

 

A mídia parcial e tendenciosa

Revela sua gana sempre odiosa.

 

Perseguem-nos com ódio e fascismo

Acusando-nos de baderna e comunismo.

 

Querem destruir a história de um povo

Seus sonhos, lutas e ideais realistas.

A elite rejeita como atraso e estorvo

O poder popular e suas conquistas.

Querem matar nossa vertente do novo

Que aponta para ser cristão e socialista.

 

 

 

POESIA: Aos que virão depois de nós (Bertold Brecht)

AOS QUE VIRÃO DEPOIS DE NÓS

III

Vocês, que vão emergir das ondas
em que nós perecemos, pensem,
quando falarem das nossas fraquezas,
nos tempos sombrios
de que vocês tiveram a sorte de escapar.

Nós existíamos através da luta de classes,
mudando mais seguidamente de países que de
sapatos, desesperados!
quando só havia injustiça e não havia revolta.

Nós sabemos:
o ódio contra a baixeza
também endurece os rostos!
A cólera contra a injustiça
faz a voz ficar rouca!
Infelizmente, nós,
que queríamos preparar o caminho para a
amizade,
não pudemos ser, nós mesmos, bons amigos.
Mas vocês, quando chegar o tempo
em que o homem seja amigo do homem,
pensem em nós
com um pouco de compreensão.

Poesia: RECOMEÇAR

RECOMEÇAR

A estrutura do meu ser

de repente implodiu.

Só o alicerce semiabalado,

ainda subsistiu.

As vigas da vida

(quem entende esta sina?)

em concreto armado

e amado erguida

dissolveram-se em ruínas…

A segurança tornou-se insegura;

a certeza, incerta;

o saber, loucura;

e a loucura, esperta.

O chão dos meus pés

os pontos de apoio

a luz que brilhava em frente

foram arrancados de mim.

Onde finda o começo?

Onde começa o fim?

No princípio era o caos,

informe e vazio.

Hoje o caos é o princípio

de um novo desafio.

Começar de novo!

Começar a crer,

crer para esperar,

esperar para fazer,

caminhar, buscar,

dar passos para a frente,

para os lados, para trás,

para ser o que se é talvez,

e ser para viver outra vez.

Começar de novo!

Um, dois, três!.

Partir da estaca zero,

do apito inicial,

da página em branco,

da aula inaugural,

do sinal da cruz,

do ponto de arrancada.

Jogar-se com tudo,

saltar no escuro

com a vida inteira

para o tudo-ou-nada.

É importante

poder chegar.

Mas é mais gratificante

correr o risco

de recomeçar…

 

Poesia: MISSÃO NA SOCIEDADE

MISSÃO NA SOCIEDADE

Ivo P. Oro

Com os pés dos que partem,

Solícitos e ligeiros,

Com os pés firmes no chão,

Vencendo os trancos rotineiros

E trancas tradicionais

Da pastoral da conservação.

 

Evangelização realizada

Com os joelhos que se dobram

Na escuta do Senhor,

Acolhendo sua Palavra,

Seu apelo ao ardor

Profético e missionário

Para tornar mais ético e solidário,

Não solitário e frenético,

Nosso mundo, em temor.

Mais do que pedir e suplicar,

Joelhos que se dobram

Na presença do Senhor,

No silêncio e humildade,

Levam a acolher e assumir,

A aderir e se engajar

Pra fazer a Sua vontade.

 

Missão vai sendo gestada

Com entranhas de misericórdia

E opção no coração:

Paixão por Jesus e seu Reino,

Pelos pobres e sofredores, compaixão.

 

Missão evangelizadora,

Concretizada com as mãos

Que se estendem e afagam

Para reerguer os caídos,

Socorrer os necessitados,

Consolar os desanimados,

Dar sentido aos sem-sentido.

 

Mãos e braços que se erguem

Clamando organização,

Ao eco do grito “Povo unido!”,

Para a luta destemida

Pela urgente libertação,

Por uma vida mais Vida,

Por um mundo mais solidário,

Justo, terno e fraterno

Mais humano e igualitário.

 

A missão na sociedade

É a razão de a Igreja existir.

Qual Jesus, fazendo do Pai a vontade:

“Eu vim para servir”.

Poesia: SEM SENTIDO…

SEM SENTIDO…

De tudo o que foi gerado,

Intuído e enjambrado,

Nada mais profundo

E nenhum mais esperado:

O Sentido veio ao mundo.

 

Porém, rumos de existência

E existências sem rumo

Não aderem ao Sentido

Nem lhe seguem as pegadas.

Em vão derrama sua intensa luz

Iluminando suas estradas…

 

Nos olhos traves de trevas

Impedem a luz na retina.

A rotina dá o ritmo e cega

Os passos sem ritmo e rima.

Indo em tom de descompasso

Ruma-se mais e mais para baixo,

Não optando por voar acima…

 

Com Sentido, far-se-ia aposta,

Em certezas e valores.

Mas, negando sua proposta,

Enchem-se de medos e pavores.

No nada, vê-se a esperança,

No vazio existencial, a energia.

No próprio umbigo, a confiança,

E da luta tem-se alergia.

 

O mundo cambaleia a esmo

Invertendo suas versões,

Fazendo deus de si mesmo

Ao sabor das emoções.

Endeusam-se os poderes,

Sem ética e sem coerência,

À cata de competência

Num narcisismo travestido

De um sentido sem sentido.

Poesia: natal X NATAL

natal X NATAL

Quanta gente se consome

Em infindos preparativos,

Porém não sacia sua fome

E os desejos impulsivos!…

 

Muitas luzes, pisca-pisca,

Pinheirinho artificial…

E o papai noel confisca

O sentido do Natal.

 

As pessoas dão-se presentes

Mas lhes negam sua presença.

Num embrulho imponente

Pode haver indiferença.

 

Enfeites, bolas de cores,

Farta comida e bebida.

Foguetes, presépio e flores,

Mas pouco espírito e vida!…

 

Esse natal não é NATAL!
Pois quem nega na fé a cruz

Faz do Natal um carnaval,

Não ama nem acolhe Jesus.

 

Natal! Jesus Salvador

Revela o rosto divino

No pobre, humilde e sofredor,

Num fraco e simples menino.

 

O divino assume o humano

Na pequenez de criança

Pra sermos manas e manos:

Esta é a nossa esperança!

 

Deus próximo e companheiro

A nossa lógica inverteu:

Vale o ser, não o dinheiro,

No irmão se serve a Deus.

Poesia: PALMARES  RESSUSCITADO

PALMARES  RESSUSCITADO

Da janela eu avistei. Logo no cantar dos pássaros!

No meio de um lindo clarão

Um homem acompanhado por  uma luz,

Seus olhos como de  uma criança

Brilhavam como a luz do sol.

Timidamente, perguntei:  por que tanto brilho nos olhos?

Eu branco. Ele negro.

E o sonho era o mesmo.

Era Zumbi.  Ressuscitado da terra

Do divino Palmares.

E num sorriso como dos lábios de Deus, ele disse:

Hoje, o atabaque sem pressa dançou.

A pedra do racismo rolou.

Negro saiu do túmulo,. Ressuscitou.

Sonhos roubados foram resgatados.

Senzala, negro de alma branca, casa grande, açoites,

Matanças cheias de sonhadores e inocentes acabou.

Olorum, o Deus negro, mandou dizer:

Dos Palmares de ontem, dos quilombos de hoje,

Das periferias que cantam a liberdade e a compaixão

Surgiram danças, abraços, sonhos e paixão.

Pois o sangue derramado de Zumbi e de tantos mártires

Fez da sentença divina a feliz libertação.

Pe. Domingos José Dias

20 de novembro – Dia Nacional da Consciência Negra.

Poesia: BEM-AVENTURADOS DE SEMPRE…

BEM-AVENTURADOS DE SEMPRE…

            “Felizes os pobres, os misericordiosos, os que promovem a paz,

porque serão chamados filhos de Deus…” (Mt 5,1-12)

“Mas ai dos ricos, fartos, gozadores e elogiados…” (cf. Lc 6,24-26)

 

Felizes os pobres e misericordiosos,

Os perseguidos e aflitos,

Que nas dores próprias e alheias

Sofrem e ecoam os seus gritos.

Os que sempre a paz promovem;

Famintos e sedentos de justiça,

Para implantá-la se movem

E removem as cobiças.

Felizes e bem-aventurados

Os mansos e puros de coração:

Sua fé se traduz em obras,

Expressão de sua opção.

 

Mas ai dos ricos acumuladores

Já têm a sua consolação.

Ai dos que agora têm fartura,

Porque na experiência da carência

Sentirão como a miséria é tortura.

Ai dos que agora estão rindo

E dos que são por todos elogiados,

Acham-se os tais, formosos e lindos,

Pois assim eram os profetas falsos

Badalados pelos antepassados…

 

Feliz aquele que não se escandalizar

Por causa de mim.

Bem-aventurado quem, sem ver, acreditar.

Será salvo quem perseverar até o fim.

 

 

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