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Grão de Mostarda

Padre Ivo Pedro Oro

PENSAMENTO DO DIA: Na Crise – 3….

PENSAMENTO DO DIA: Na Crise – 3….

“Se nos deixarmos interpelar pelos que sofrem duramente a crise, descobriremos que também a nós, como ao jovem rico do Evangelho, “falta-nos alguma coisa” para seguir Jesus: libertar-nos do poder do Dinheiro para estar de verdade junto com os pobres… Só então o discípulo começa a estar em condições de seguir a Jesus. Temos que revisar nossa relação com o dinheiro: … Em que investir? Com quem compartilhá-lo?”. (Pagola. Jesus e o Dinheiro, p. 71-72).

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“Reis Magos”: DEUS OFERECE A SALVAÇÃO A TODOS

DEUS OFERECE A SALVAÇÃO A TODOS

Uma REFLEXÃO sobre o EVANGELHO da SOLENIDADE DA EPIFANIA DO SENHOR (07.01.18): Mt 2,1-12

Estamos na festa da Epifania, da manifestação de Deus, em Jesus, para a salvação de todos. Ele é o Filho enviado para todos os povos e raças, sua salvação é universal. Ao longo do Antigo Testamento, muitas profecias anunciavam que um dia os povos todos haveriam de acorrer ao monte Sião e a Jerusalém, símbolos do espaço de encontro com o Deus da vida e Salvador da humanidade. Ao mesmo tempo, nossa celebração de hoje é um convite a irmos ao encontro de Deus, para perceber os seus sinais em nossa história e, independentemente das condições, cada qual contribuir para um mundo mais humano e fraterno.

Por meio de Jesus, a salvação é oferecida a todos

Hoje celebramos este chamamento que Deus dirige a todos, convidando-os a fazerem parte de sua vida e de seu Reino. Os magos representam todos os que, atentos aos sinais de Deus no mundo dos humanos e no universo, buscam a Ele, para adorá-lo e louvá-lo com os presentes que simbolizam o reconhecimento de sua divindade e da doação da vida por nós e para nós. Esses sábios (o evangelho não fala em “reis”) simbolizam os povos pagãos, que se convertem a Deus, por sua adesão e seguimento de Jesus. Em contrapartida, Herodes representa os que, por seu apego ao poder ou pela prática religiosa sem compromisso de amor com o ser humano e com o projeto de Deus, preferem perseguir e destruir a vida da humanidade. Este menino Jesus, aí manifestado aos magos pagãos, é verdadeiramente o Filho de Deus que veio para ser o mestre da Justiça. No cap. 25 de Mateus, veremos que os justos perguntarão: quando foi que te vimos com fome, sede, sem agasalho, doente, migrante ou preso e te ajudamos?… “Justos” aí são os que vivem concretamente o amor ao próximo e defendem a vida dos necessitados com ações e atitudes concretas de solidariedade e compaixão. Acolher, adorar a Jesus é assumir a mesma prática dele em favor da vida plena e com dignidade para todos.

Nosso presente a Jesus

Os presentes oferecidos pelos magos ao menino são simbólicos. Revelam que eles reconheceram em Jesus a divindade (incenso), sua vida ofertada e doada (mirra), e sua realeza (ouro), mas, é claro, rei que coloca seu poder a serviço da humanidade, especialmente daqueles cuja vida é fragilizada. Mesmo sendo simbólicos, esses presentes nos provocam a refletir: O que ofertamos de nós como presente ao Menino que veio acampar entre nós no Natal? Fizemos festa pra Jesus, ou fizemos festa para nós mesmos sem lembrarmos e sem celebrarmos sua presença?… E quando damos presentes a quem nos presenteia, o que vivemos de gratuidade de vida neste gesto?… No advento e no Natal ofertamos boas ações a Jesus, presente nos pobres, necessitados, excluídos de diversos tipos?… Ou damos presente e fizemos festa apenas para nós mesmos?… Vivenciamos ao menos as celebrações comunitárias e algumas doações a quem precisa de nossa ajuda de amor fraterno?

Cuidado com os Herodes…

Enquanto os magos vivem uma atitude muito humana e de reconhecimento de sua pequenez, apesar de ser sábios do oriente, o poderoso Herodes não admite baixar-se de sua altura de poder e de prestígio, nem aceita que outros tenham vida e recebam a atenção de Deus. Por isso persegue e mata. Fere seu orgulho pensar que o “verdadeiro rei dos judeus” é simples, pobre, humilde, indefeso e enraizado no poder popular, ao contrário dele que é prepotente, tirano, violento e politiqueiro. Dos moldes de Herodes não sai um rei estilo pastor, que dá a vida pelo povo. Quem aceita e adora a Jesus “descobre que a salvação não pode vir pela ação violenta do poderoso tirano, nem pela falsa religião patrocinada pelos líderes religiosos serviçais do prepotente Herodes” (Bortolini, p. 47). Os magos, guiados pela estrela, manifestaram seu desejo de adorar este novo jeito de viver o poder: dando a vida e ajudando os humildes, por amor. Só ali germina e fermenta a esperança. Os Herodes de hoje em dia são como o Herodes antigo: eliminam direitos da população, reduzem políticas públicas, favorecem os privilegiados de sempre, sustentam e reproduzem a sociedade de desigualdade e se alegram com a perseguição aos líderes populares. Para isto, basta pensar no Brasil dos últimos dois anos.

Esta festa nos faz celebrar a bondade de Deus que quer a salvação para todos. Quem aceita e adora este Deus que não exclui ninguém, também se posiciona e se esforça para oferecer essa salvação a todos, hoje, especialmente a quem mais precisa de vida com dignidade, e busca erradicar os males e escravidões em que se encontra amordaçado. Os “reis magos” mostram bondade, busca de Deus, sintonia com Jesus, seguimento da luz de Deus… Festejá-los é abraçar este mesmo caminho e sentido de vida e compromisso.

 

Pensamento do dia: Na Crise – 2…

“Temos de acostumar-nos pouco a pouco a uma vida mais sóbria para compartilhar mais o que temos, simplesmente não nos faz falta. Aprender a ‘empobrecer’ renunciando ao nosso nível atual de bem-estar para limitar de forma consciente e voluntária o desfrute de nossos recursos e poder assim orientá-los para os necessitados.” Os “pobres em espírito”, do Evangelho de Mateus, são provavelmente “os que, movidos pelo Espírito, optam por ser pobres e vivem amando, servindo e defendendo os pobres”. (Pagola. Jesus e o Dinheiro, p. 70-71).

Na crise…

“Para mover-nos profeticamente no meio da crise, animados pelo Espírito de Jesus, temos de cuidar e reforçar uma primeira atitude básica e indispensável: “Não serviremos ao Dinheiro”. Abandonar a idolatria do Dinheiro não é fácil, pois ela está ligada a pulsões profundas de autoproteção, busca de segurança e bem-estar. É um ídolo fortemente interiorizado na sociedade e na Igreja, em nossas famílias e nossas vidas.” (Pagola, Jesus e o Dinheiro, p. 70)

Poesia: SEM SENTIDO…

SEM SENTIDO…

De tudo o que foi gerado,

Intuído e enjambrado,

Nada mais profundo

E nenhum mais esperado:

O Sentido veio ao mundo.

 

Porém, rumos de existência

E existências sem rumo

Não aderem ao Sentido

Nem lhe seguem as pegadas.

Em vão derrama sua intensa luz

Iluminando suas estradas…

 

Nos olhos traves de trevas

Impedem a luz na retina.

A rotina dá o ritmo e cega

Os passos sem ritmo e rima.

Indo em tom de descompasso

Ruma-se mais e mais para baixo,

Não optando por voar acima…

 

Com Sentido, far-se-ia aposta,

Em certezas e valores.

Mas, negando sua proposta,

Enchem-se de medos e pavores.

No nada, vê-se a esperança,

No vazio existencial, a energia.

No próprio umbigo, a confiança,

E da luta tem-se alergia.

 

O mundo cambaleia a esmo

Invertendo suas versões,

Fazendo deus de si mesmo

Ao sabor das emoções.

Endeusam-se os poderes,

Sem ética e sem coerência,

À cata de competência

Num narcisismo travestido

De um sentido sem sentido.

FELIZ ANO NOVO DEPENDE TAMBÉM DE NÓS

FELIZ ANO NOVO DEPENDE TAMBÉM DE NÓS

Uma REFLEXÃO sobre o EVANGELHO da Solenidade de Maria Mãe de Deus (01.01.18): Lc 2,16-21

Em 1º. de janeiro iniciamos um novo ano civil, em nosso calendário: 2018. Comumente é chamado de Dia Mundial da Paz e na liturgia, Solenidade de Maria Mãe de Deus. Celebremos com muita fé e compromisso com o Deus da Vida, para que os muitos “Feliz Ano Novo” que proferimos não sejam algo mecânico, tímido, da boca pra fora apenas.

  1. O Senhor do tempo é solidário conosco

Para que brote do coração precisamos sentir este novo tempo como uma graça de Deus, mas também como um compromisso nosso de tornar este 2018 de fato um novo ano, com mais vida e luta pela paz, pelo direito, pela defesa da vida fragilizada, com mais amor aos pobres. Neste ano, apesar das muitas expectativas, as classes trabalhadoras e os pobres em geral, pelo conhecimento da conjuntura econômica e política, sabem que este ano “viveremos tempos difíceis”, como me disse o Teori em janeiro de 2016. “Deus quer que nosso país seja repleto de sua bênção, nação plenamente fraterna e justa, pois esse é o projeto de Deus. Maria, cuja solenidade hoje celebramos, nos ensina a discernir a presença de Deus em nossa história. De fato, ele sempre se mostrou solidário com os anseios do seu povo, coroando de êxito suas lutas. Mas é em Jesus que essa solidariedade tomou forma definitiva. E é por meio dele, nascido de Maria, que podemos ter a certeza de que o futuro será melhor. Contudo não bastam votos e boas intenções. A proposta de Jesus é exigente e envolve todas as pessoas de boa vontade. Quem se compromete com ele se torna promotor da paz e construtor de uma nova sociedade.” (Bortolini, Roteiros Homiléticos, p. 40).

  1. O rosto de Jesus revela Deus solidário e salvador

Os pastores foram às pressas, “encontraram Maria e José, e o recém-nascido deitado na manjedoura. Tendo-o visto, contaram  o que o anjo lhes anunciara sobre o menino. E todos os que ouviam os pastores ficavam maravilhados com aquilo que contavam”. A revelação aos pastores e sua visita já mostram a opção de Deus. O nascimento de Jesus naquela situação revela a postura de Deus em nossa história: não escolhe os grandes, prefere os pequenos e aqueles que defendem os pequenos, humildes e oprimidos: “Nasceu excluído para os excluídos” (idem, p.42). Esses pastores nada têm de romântico como as imagens dos pastores no presépio. Eram malvistos, detestados, marginalizados, por ocuparem com seus rebanhos os terrenos de outros, de propriedade alheia. Mas Deus não tem ódio nem discrimina. Escolhe-os para contemplarem a maravilha da vinda do Salvador e anunciarem o prodígio, “a boa notícia para todo o povo”.

  1. Maria, solidária com Deus solidário

O evangelho diz: “Maria conservava todos esses fatos, e meditava sobre eles em seu coração”. Ela soube perceber e distinguir os fatos de Deus na vida do povo e na história. Meditar é ir a fundo, não apenas sabê-los, e sim compreender o que significam e o que Deus nos interpela e nos ensina por meio deles. Conservar no coração é interpretar os acontecimentos, tanto os mais claros como os mais obscuros. Deus sempre tem algo a nos dizer através deles. Ela percebeu e se alegrou com a presença solidária de Deus que em Jesus veio ao encontro do seu povo, para instaurar seu reino e iniciar um novo tempo, uma nova sociedade. Pelo seu engajamento na missão que se perceberá durante sua vida nas décadas seguintes, ela compreendeu que era preciso ser missionária e solidária com a missão de Jesus em favor dos empobrecidos, em seu projeto de um reino diferente.

O Papa Francisco em sua mensagem para este dia, “Migrantes e refugiados: homens e mulheres em busca de paz”, afirma: “Com espírito de misericórdia, abraçamos todos aqueles que fogem da guerra e da fome ou se veem constrangidos a deixar a própria terra por causa de discriminações, perseguições, pobreza e degradação ambiental. Estamos cientes de que não basta abrir os nossos corações ao sofrimento dos outros. Há muito que fazer antes de os nossos irmãos e irmãs poderem voltar a viver em paz numa casa segura. Acolher o outro requer um compromisso concreto, uma corrente de apoios e beneficência, uma atenção vigilante e abrangente, a gestão responsável de novas situações complexas (…), bem como recursos que são sempre limitados. Praticando a virtude da prudência, os governantes saberão acolher, promover, proteger e integrar, estabelecendo medidas práticas (…). Os governantes têm uma responsabilidade precisa para com as próprias comunidades, devendo assegurar os seus justos direitos e desenvolvimento harmônico, para não serem como o construtor insensato que fez mal os cálculos e não conseguiu completar a torre que começara a construir”.

Invoquemos a bênção para todos e todas, com as palavras da 1ª. leitura (Nm 6,22-27): “Javé o abençoe e o guarde! Javé lhe mostre seu rosto brilhante e tenha piedade de você! Que seu olhar se volte para você e lhe conceda a paz!” Façamos nossa parte para que, em 2018, nosso Brasil e nosso mundo sejam melhores!

FELIZ E ABENÇOADO ANO DE 2018!

A FAMÍLIA FIEL A DEUS GERA O HUMANO DIVINO!…

A FAMÍLIA FIEL A DEUS GERA O HUMANO DIVINO!…

Uma REFLEXÃO sobre o EVANGELHO da festa da SAGRADA FAMÍLIA (31.12.17): Lc 2,22-40

Muitos pensam que a instituição família está em crise. Ela sofreu transformações, ao longo dos tempos, especialmente com as mudanças socioculturais das últimas décadas. Provavelmente mudaram mais os valores e o modo de ser família nos últimos anos do antes em mil. Esta crise não significa que seja seu fim. Ao contrário, desta crise a família pode se recriar em valores e vivências mais profundas… Celebrar a festa da Sagrada Família não é endeusar um modelo de família. É aprendermos do testemunho de Maria, José e Jesus pistas e passos para enfrentar as situações de hoje, louvar a Deus pela opção e exemplo da família de Nazaré, e suplicar sua intercessão para uma vida familiar mais saudável.

  1. José e Maria são fiéis a sua fé

Maria e José levaram Jesus ao templo, primeiro filho menino da família, no 40º. dia, para apresentá-lo e consagrá-lo ao Senhor. Foram oferecer o sacrifício, conforme estabelecia a Lei, para eles que eram pobres, um par de rolas ou dois pombinhos. Podemos não entender hoje o significado de tais ritos, mas aprendemos que esta Família não brincava com as coisas sagradas nem com as práticas de sua fé. Vivia sua “religião” com seriedade e firmeza. Não era um “faz-de-contas”. Quando se encontra sentido na vida de fé, pratica-se, sem fingimento.

  1. Jesus é luz e salvação

No templo estavam duas pessoas idosas: o justo e piedoso Simeão e a profetisa Ana. Simeão, com o menino nos braços, agradeceu a Deus: “porque meus olhos viram a tua salvação que preparaste diante de todos os povos: luz para iluminar as nações e glória  do teu povo Israel”. Estas palavras revelam que Jesus vem resgatar Israel e salvar a humanidade toda. Ele veio para ser nossa luz e nossa salvação. Este é o objetivo de sua vida: iluminar e salvar. É nele que encontramos luz, sentido e direção para nossa vida; bem como salvação e libertação daquilo que contradiz o projeto de Deus… Ana também louvou ao Senhor. Reconhecendo em Jesus o cumprimento das promessas messiânicas – as boas notícias não podem ser sufocadas -: “falava do menino a todos que esperavam a libertação de Jerusalém”.

  1. Jesus é sinal de contradição

Simeão disse a Maria: “Este menino vai ser causa tanto de queda como de reerguimento para muitos em Israel. Ele será um sinal de contradição”. Na linha dos profetas, Jesus vai anunciar e denunciar. Sua firmeza na Palavra do Pai será boa notícia aos pobres e sofredores que anseiam pela chegada do Salvador. Mas atrairá a rejeição e perseguição daqueles que não aceitam a mudança da sociedade e das práticas religiosas discriminatórias, justamente por lhes desmascarar a hipocrisia. “Jesus é um alvo de contradição, porque contra ele se chocarão os interesses dos que mantêm uma sociedade dividida entre ricos e pobres, exploradores e explorados” (Bortolini. Roteiros Homiléticos, p.289).

  1. O menino crescia e se tornava forte

O Evangelho conclui: “O menino crescia e tornava-se forte, cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava com ele”. Vivendo em família e na comunidade de gente pobre e sofredora, em Nazaré, o menino crescia em sabedoria e graça, não apenas em tamanho físico. Na vivência de fé e na luta do povo pobre, a reflexão e a experiência vão se acumulando e a sabedoria vai crescendo, sempre na firmeza da graça do Senhor.

Concluindo, relembremos uma mensagem do Papa Francisco sobre a família:  “Não existe família perfeita. Não temos pais perfeitos, não somos perfeitos, não nos casamos com uma pessoa perfeita nem temos filhos perfeitos. Temos queixas uns dos outros. Decepcionamos uns aos outros. Por isso, não há casamento saudável nem família saudável sem o exercício do perdão. O perdão é vital para nossa saúde emocional e sobrevivência espiritual. Sem perdão a família se torna uma arena de conflitos e um reduto de mágoas. Sem perdão a família adoece. O perdão é a assepsia da alma, a faxina da mente e a alforria do coração. Quem não perdoa não tem paz na alma nem comunhão com Deus. A mágoa é um veneno que intoxica e mata. Guardar mágoa no coração é um gesto autodestrutivo. É autofagia. Quem não perdoa adoece física, emocional e espiritualmente. É por isso que a família precisa ser lugar de vida e não de morte; território de cura e não de adoecimento; palco de perdão e não de culpa. O perdão traz alegria onde a mágoa produziu tristeza; cura, onde a mágoa causou doença”.

Poesia: natal X NATAL

natal X NATAL

Quanta gente se consome

Em infindos preparativos,

Porém não sacia sua fome

E os desejos impulsivos!…

 

Muitas luzes, pisca-pisca,

Pinheirinho artificial…

E o papai noel confisca

O sentido do Natal.

 

As pessoas dão-se presentes

Mas lhes negam sua presença.

Num embrulho imponente

Pode haver indiferença.

 

Enfeites, bolas de cores,

Farta comida e bebida.

Foguetes, presépio e flores,

Mas pouco espírito e vida!…

 

Esse natal não é NATAL!
Pois quem nega na fé a cruz

Faz do Natal um carnaval,

Não ama nem acolhe Jesus.

 

Natal! Jesus Salvador

Revela o rosto divino

No pobre, humilde e sofredor,

Num fraco e simples menino.

 

O divino assume o humano

Na pequenez de criança

Pra sermos manas e manos:

Esta é a nossa esperança!

 

Deus próximo e companheiro

A nossa lógica inverteu:

Vale o ser, não o dinheiro,

No irmão se serve a Deus.

CONIC: sobre os despejos de camponeses/sas no Paraná e outros estados

CONIC: sobre os despejos de camponeses/sas no Paraná e outros estados

“Se saio para o campo, eis os feridos pela espada;

se entro na cidade, eis as vítimas da fome;

até os profetas e sacerdotes atravessam a terra e não compreendem!” (Is 14:18)

Foi com indignação e assombro que assistimos, durante a reunião de diretoria, realizada no dia 19 de dezembro, ao vídeo da ação de despejo realizada contra camponeses e camponesas do município de Pinhão, estado do Paraná.

O despejo de 4 mil famílias é consequência do cumprimento de uma reintegração de posse em favor da empresa pertencente à família Zattar.

As imagens das pessoas tendo suas casas derrubadas por máquinas, sem ao menos conseguirem retirar seus pertences, são chocantes. Assim como chocam as imagens da destruição do Posto de Saúde e da Igreja da comunidade.

Até o momento, 4 mil pessoas foram despejadas. No entanto, há o risco de mais 14 mil pessoas sofrerem ação de despejo.

Estas ações têm sido recorrentes, assim como o assassinato de lideranças camponesas em diferentes regiões de nosso país. A chacina de Pau D’Arco é o símbolo maior, neste ano, dos impactos de um modelo agrícola baseado na concentração de terra.

Tal como o despejo de Pinhão, há despejos ocorrendo em Marabá, no Pará, e também Palma Sola, em Santa Catarina.

Estas ações não são fatos isolados. Elas são consequência do império do mercado que financeiriza a terra e não leva em consideração a vida, a história, a espiritualidade e a cultura dos povos. Diante dos interesses do mercado, a vida das pessoas é secundária e descartável.

Como Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil, repudiamos a ação realizada em Pinhão. Oremos pelas famílias que foram despejadas!

Das autoridades competentes, exigimos medidas cabíveis para reverter a decisão que impede estas famílias de permanecerem em seu território.

Às igrejas locais, pedimos que mobilizem a solidariedade e que sejam voz profética.

Expressamos nosso apoio e compromisso com as demais comunidades que sofrem a pressão dos grandes grupos agrários para deixarem suas terras.

Que nesse tempo de Natal, cristãos e cristãs possam colocar-se no lugar das famílias despejadas e das que ainda podem perder suas terras. Sentir a dor do outro e solidarizar-se com a pessoa próxima, a exemplo do Bom Samaritano (Lc 10:30-37), é o que de mais próximo podemos experimentar do sentido do Natal.

Que o Deus da paz, revelado na manjedoura em Belém, rompa o gelo de nossos corações. A paz apenas será concreta se os direitos humanos forem respeitados em sua plenitude.

CONIC – Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil

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